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Brasil parece continuar acordado para evitar o mal maior

Embora se julgue mais esperto do que o diabo e mais realista do que o rei, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) parece perdido no tempo ou nas próprias contas. A caminhada que ele produziu com o objetivo de acordar o Brasil está com um atraso de pelo menos três anos e três meses. O país acordou exatamente no dia 30 de outubro de 2022, dia do segundo turno da eleição que elegeu Luiz Inácio Lula da Silva para seu terceiro mandato presidencial. Mais do que eleger Lula, o povo brasileiro expurgou da política o líder de uma seita que não se cansa de gerar um leque de maldades contra a nação e contra o povo que não o tolera.

E depois ainda dizem que Luiz Inácio é que é ladrão, corrupto, perseguidor, tirano e péssimo como governante. Sei que é desnecessário perguntar, mas em que, onde e quando Jair Bolsonaro foi bom? Sem margem de erro e com a sinceridade de um sincerão, certamente para quem é racista, homofóbico, preconceituoso, gosta de baderna, ri da desgraça alheia, não aceita a derrota, aprova golpes, estimula o ódio e defende aqueles que prendem e arrebentam.

Naturalmente, para os denominados bolsonaristas o governo Lula é ruim. O deles sequer chegou a ser mais ou menos, mas tudo é uma questão de escolha. Há os que nascem para ser felizes e os que morrem infelizes. Repito que Luiz não é o mais importante ou o mais poderoso governante do mundo e, talvez, não seja o melhor que já tivemos ao longo de nossa história republicana. Entretanto, sempre foi respeitado, ouvido e jamais precisou bajular esse ou aquele mandatário para conquistar alguma coisa. Muito pelo contrário.

Politicamente, Lula nunca foi hipótese. Eleito contra um monturo de pelegos, sanguessugas, falsos profetas e dilapidadores contumazes do patrimônio público, o líder do petismo pode ser o que for, mas é um democrata convicto e consciente e defensor ferrenho da soberania nacional. Donald Trump está aí para não me deixar mentir. Questiono, mas aceito o mantra bolsonarista de que Lula da Silva é ruim como presidente. Difícil explicar para fanáticos incorrigíveis que um presidente ruim não consegue ser eleito três vezes.

Para lavar a alma do povo feliz e que vive para servir, Luiz Inácio foi tri e a tendência é que seja tetra em outubro. É só uma tendência, mas cai como um ponto final na ultrapassada, invejosa e maledicente retórica dos que não passaram de um mandato. Estou enganado, mestre Messias? Então Lula é ruim? É, mas somente para aqueles que se pintam de patriotas, viram marionetes, sobem na caminhonete da superioridade e, com a soberba vazando por todos os poros, se acham mais brasileiros do que qualquer brasileiro.

Para os demais, Lula é infinitamente melhor, mais forte, mais democrático, mais simpático, mais poderoso, mais focado, muito mais preocupado com o povo e bem menos empavonado. Ou seja, de A a Z, Lula é o preferido. Antes tarde do que nunca, o Brasil acordou a tempo de evitar um mal maior. Acordou para ouvir os bolsonaristas afirmando que sairiam do país caso Lula ganhasse a eleição. Só não disseram que a maioria sairia fugida da Polícia Federal. O Brasil acordou para descobrir que São Pedro é antifascista e nunca mais dormir e eleger um presidente que ri da desgraça e da morte de seu povo.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978 

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