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Brasil precisa largar a ganância e voltar a ser o país do futuro na voz ativa

Independentemente da motivação e da saúde de Luiz Inácio para concorrer a um quarto mandato, o povo brasileiro que prega a liberdade, a igualdade e a fraternidade precisa repensar o futuro político do país. O que queremos? O que pensamos? Nos organizamos para uma marcha contra o autoritarismo, a devastação e a vilania ou abrimos a guarda para o liberou geral? Seja de direita ou de esquerda, torço pelo melhor para o Brasil. Por isso, espero que os eleitores amantes da democracia esqueçam de vez os vilões mexicanos, hoje representados pelo que há de pior na extrema-direita.

Venham de onde vierem, que venham os de boa índole, de patriotismo honesto e de princípios menos reacionários e menos hostis aos diferentes. A nação é de todos, mas, na segunda década do século 21, não há mais espaços para a lógica de mais valia da família conservadora brasileira. Que o digam os poderosos do agronegócio, a maioria defensora intransigente dos conceitos propostos pelo radicalismo político. Pensam pouco no povo e são mal-agradecidos ao governo que hoje os financia da semente à colheita e os socorre durante as eventuais intempéries.

Ninguém questiona a importância dos tubarões da agricultura. Questionável é a extrema-direita denominar de pop quem só pensa no próprio umbigo. Plantar com dinheiro do Plano Safra é maravilhoso; contabilizar o lucro é sensacional; especular o preço da cesta básica é patriótico; exportar sem observar o mercado interno é responsabilidade democrática. Lamentável, mas essas são as lógicas da tradicional família cristã brasileira, cujos objetivos sociais são desmatar e lotear a Amazônia, liberar o garimpo nos rios da região e, consequentemente, condenar os índios locais à morte.

Esse não é o Brasil que a maioria deseja. Esse é o Brasil defendido pelos “patriotas” bolsonaristas e por aqueles que só têm compromisso com os lucros e com o agora. A vida no futuro que se dane. Para que a vida? Não à toa, em nome do “progresso amazônico”, os maledetos senadores Marcos Rogério (PL-RO), Omar Aziz (PSD-AM) e Plínio Valério (PSDB-AM) tentaram emparedar a ministra Marina Silva. Tudo porque ela se preocupa prioritariamente com o meio ambiente que os extremistas querem afundar no buraco negro. Como disse o pensador espanhol Sêneca, para a ganância, toda a natureza é insuficiente.

São os mesmos parlamentares que, em defesa do desmatamento generalizado da Amazônia, da poluição letal dos rios e do fim dos ribeirinhos e dos indígenas, juraram (e juram) amor eterno ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Eles esquecem que, assim como o planeta, o Brasil não precisa de mais pessoas de sucesso, mas de pessoas que se preocupam com o sucesso do Brasil. Não é o caso dos senadores, que querem transformar a natureza em mercadoria. Obviamente que direita, esquerda, centro e extrema-direita têm o mesmo direito político. O problema é que nem todos têm deveres com a nação.

Ao contrário do que afirmam os conservadores, Lula não exagerou ao sugerir que a esquerda consiga eleger uma maioria para o Senado no ano que vem, de modo a evitar que “esses caras avacalhem” o STF. Já avacalharam. Embora tudo seja passageiro na vida e na política, a ordem atual é a desordem. Por isso, avacalham a secular instituição exclusivamente somente porque ela defende a democracia. Venha que vem vier, mas venha pensando em manter o Brasil como um gigante pela própria natureza. No mínimo, uma terra de palmeiras, onde ainda canta o sabiá. Que sejamos o país do futuro na voz ativa.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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