E$m ano eleitoral, qualquer coisa que não seja o voto tem o mesmo valor de uma nota de R$ 3. Nesse período, os candidatos comem até pastel em feiras livres. É a época em que o voto vale tanto quanto quem vota. Em quem se vota é apenas um detalhe. É aí que mora o perigo. É aí que o futuro do país começa a sofrer ameaças. De um lado, há o terreno pantanoso dos mentirosos, enganadores e dos estagiários do golpismo. De outro, há um lindo lago azul com bordas vermelhas chamado democracia. Entre eles, o eleitor, cuja vontade soberana é o único com capacidade de moldar ou esculhambar de vez um Brasil que já foi de todos os brasileiros.
Política não é ficção literária, dramalhão mexicano, muito menos folhetim do horário nobre da Globo Luxo. Política é coisa séria e, por isso, precisa ser encarada com a máxima seriedade. É nossa a opção de escolha entre o clássico demagogo e o provável eterno estadista. Como dizia Wiston Churchill, ex-primeiro-ministro do Reino Unido, a diferença entre um e outro é que o populista e usuário de demagogias baratas normalmente decide pensando nas próximas eleições, enquanto o aparente estadista decide pensando nas próximas gerações. Os exemplos estão postos.
Cabe a cada um dos cerca de 160 milhões eleitores escolher o melhor caminho ou a eterna encruzilhada. Os predicados da maioria dos milhares de sujeitos dispostos a se manter na ribalta política são por demais conhecidos. Vira e mexe, eles reaparecem com salvadores da pátria e, logicamente, do próprio bolso. Para limpar a trilha usada pela matilha eleita em 2018 e reeleita em 2022, o primeiro passo é a lembrança de que um pleito eleitoral é feito para corrigir eventuais erros do anterior. O segundo é a certeza de que nunca se mente tanto quanto antes de uma eleição e depois de uma caçada.
Enfim, a liberdade democrática nos permite escolher a pimenta com a qual seremos devorados ou o molho que serviremos após a vitória de nosso (s) candidato (s). Sejamos de esquerda, de direita ou de coisa alguma, o mais importante é que façamos de tudo para impedir que o Brasil seja somente uma nação de aparências. Que, acima do fanatismo, das simpatias partidárias e das emoçõe$ prometidas por alguns candidatos, pensemos na necessidade de renovação. Podemos até manter a merda, mas, se necessário, que troquemos as moscas.
Velho, mas antenado, do tipo menos desinteligente, acho que, para alcançarmos a plenitude eleitoral sonhada pelos brasileiros de consciência limpa e de alma lavada, basta que consigamos votar tão bem como votamos no Big Brother Brasil. Há uma máxima filosófica de que o bom político não pede votos. Ele conquista eleitores. E não é convocando manifestações pífias e eleitoreiras para beneficiar quem sempre esteve contra o povo que os mentirosos continuarão engambelando o povo. A custo zero, esses topam tudo para manter em determinados eleitores a sensação de gado tocado em direção ao abismo. Que o diga aquele senador brasiliense sem voto e quase sem mandato que recentemente lotou uma Kombi em protesto contra a legalíssima prisão de Jair Bolsonaro.
A pouco menos de 8 meses das eleições gerais deste ano, fico matutando o que os sujeitos que integram aquela seita política estão tramando para acabar com a nação que tanto dizem amar. Vivemos em um país democrático, no qual todas as formas de pensar devem ser respeitadas. Entretanto, votemos para iluminar um pouco mais esse cabaré chamado Congresso Nacional, para purificar os governos estaduais e as assembleias legislativas e para manter cristalinamente aceso o Palácio do Planalto. Meu caro eleitor, não se esqueça que, pior do que a covardia eleitoral, é o conformismo. Evite a ressaca das urnas, escolhendo homens de bem e que, pelo menos temporariamente, esqueçam seus bens.
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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978
