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Câncer da corrupção vira modismo político

Graças a Deus, o Brasil não tem furacões, terremotos, maremotos e vulcões. No entanto, temos um povo que vai do ingênuo e do apático ao espertalhão em dez segundos, 32 partidos políticos e politiqueiros do tipo vigaristas, cuja maioria arrasa mais do que todos esses desastres naturais juntos. Somos o país em que a demagogia barata e a certeza da impunidade transformaram o câncer da corrupção em um novo e consolidado modismo.

A situação é de endemia, considerando que a corrupção está enraizada desde os alicerces até o topo da sociedade. É uma atitude inescrupulosa, principalmente quando expressiva parte dos seres humanos eleitos para ajudar, mas, após empossados, preferem se ocultar na escuridão dos ralos da cidade e agir como ratazanas. Eis a razão pela qual muitos brasileiros partiram para o Canadá antes que a honestidade virasse crime por aqui.

Esses se cansaram da barbárie política do Brasil ou se desencantaram definitivamente com a máxima de Mahatma Gandhi, para quem discordância honesta é muitas vezes um bom sinal de progresso. Nada anormal para uma nação cuja população não reage à forma sacana como as eleições são encaradas, ao mesmo tempo em que aceita qualquer um como candidato à Presidência da República, aos governos estaduais, prefeituras, Senado e Câmara Federal e municipais.

Entre esses, os destaques são os advogados ruins, os médicos sem aptidão, os professores desaculturados, os policiais à procura do pai, os militares de pijama, os pastores evangélicos sem uma igreja para chamar de sua e as famílias decididas exclusivamente a livrar seus membros dos crimes cometidos. Na primeira oportunidade ou no primeiro deslize do eleitor, esses “profissionais” viram deputados federais, senadores e até governadores.

Para tentar a Presidência da República é fundamental o diploma de patriota competente. Em alguns casos negativos, basta o certificado de democrata ou o reconhecimento público como golpista. Resumindo a ópera eleitoral, a corrupção sistêmica e ambidestra é o fruto podre de nossa indiferença política. Para os mais politizados, é o preço da ignorância e do fanatismo estulto. Em se tratando de Brasil de intempéries apenas pessoais, a corrupção não está somente na política. Ela está encastelada no coração dos brasileiros.

Como dizem os pensadores de botequins e os poetas de velórios suburbanos, todo corrupto é contra a corrupção do outro e a favor da sua. Na verdade, se pagássemos menos aos políticos e mais aos professores talvez tivéssemos pessoas mais inteligentes, leis menos ruins e eleitores bem próximos da sensatez absoluta. Embora torça para que consigamos atingir esse estágio político-eleitoral, acho quase impossível, na medida em que as eleições nacionais são executadas pelas mesmas indústrias que vendem pasta de dente, absorventes e planos de saúde na televisão.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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