Notibras

Candidato tem muito, mas projeto que é bom, os eleitores desconhecem

Manifestações a favor do impeachment de Dilma, na Praça dos Três Poderes (Wilson Dias/Agência Brasil)

Como contam os historiadores, à mulher do imperador Júlio César, Pompéia, não bastava ser honesta. O mesmo princípio tem de ser aplicado aos principais candidatos à Presidência da República, aos quais é exigido um pouco mais. Não basta a nenhum deles apenas ser honesto. Todos têm de parecer honestos, cuja vantagem é que a concorrência é pequena. Tarefa das mais fáceis, acusar o adversário de desonestidade é uma faca com dois ou vários gumes, principalmente quando o acusador não é habitué da honestidade.

Em uma grande capital brasileira, não faz muito tempo um candidato fez campanha subestimando o outro e acabou perdendo a eleição. Portanto, seja de direita, de esquerda ou de extrema-direita, os presidenciáveis precisam ter em mente que, enquanto a malícia corrompe, a retidão enobrece a alma. Ao contrário dos que vivem dependurados nos muros da mentira, o mundo não é dos espertos, mas das pessoas honestas e verdadeiras. Como nada dura para sempre, um dia a malandragem é descoberta e vira vergonha.

Os exemplos são diversos. Para o bem de todos e felicidade geral da nação, a honestidade se transforma em exemplo para gerações futuras. A pouco menos de seis meses para que os brasileiros conheçam o novo “comandante” da nação, até agora ninguém sabe que tipo de propostas eles têm para apresentar ao eleitorado. Não é que os candidatos ao Palácio do Planalto não consigam alcançar a solução. O pior é a certeza de que poucos ou nenhum deles conhece o problema.

Dizem os supostos especialistas no tema política partidária que o político profissional nunca informa o que quer. Se o fizer, acaba mostrando sua fraqueza. Melhor dizendo, sua ignorância. Político com fã clube reconhecido em cartório é sinônimo de povo perdido e esquecido como gado no curral. Por isso, toda atenção com os leões buscando presas nas seções eleitorais. Não devemos jamais esquecer que eleição não é privilégio, mas responsabilidade para eleitores e eleitos.

Por enquanto, boa parte dos atuais presidenciáveis têm preferido se mostrar mais como pessoas boas ou ruins do que como candidatos mais ou menos. Como sei que o mar nem sempre é azul e que o céu não está todos os dias para brigadeiro, meu ideal de presidente é o cidadão que conhece e respeita três livros: o Aurélio, a Bíblia e a Constituição. Fora disso, é mais do mesmo. Prova disso é que alguns deliberadamente decidiram ou foram instados a negligenciar a educação, substituindo-a por doutrinação ideológica. O dia 4 de outubro está quase chegando na cozinha. Na sala, o povo aguarda o convite para votar no melhor.

Onde está esse candidato? Com exceção para a continuidade defendida pelo atual presidente, nenhum dos três ou quatro postulantes à Presidência sabe exatamente o sentido, os conceitos, a importância, a profundidade, intensidade e o peso do verbo governar. Embora alguns teimem em conjugá-lo na primeira pessoa do singular, é da terceira pessoa do plural a palavra final. Não é o eu, mas os nós e eles que escolherão o molho com o qual serão devorados nos quatro anos após o resultado das urnas. Resumindo a ópera eleitoral, em época de eleição não é preciso procurar no balaio de políticos aquele que fala a verdade. Fundamental é achar quem mente menos.

……………

Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais

Sair da versão mobile