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Caos social atinge tanto direita quanto esquerda

De ponta cabeça por conta das cabeçadas dos políticos, o Brasil e o povo vivem uma roda viva. Entra ano, sai ano e a disputa pelo poder só piora. Em vez de pensarem na evolução econômica e social do país, os candidatos a excelências só pensam em si e nos benefícios que eles e seus familiares podem alcançar. O povo é e será sempre um detalhe. Infelizmente, para os tipos exclusivistas como são nossos politiqueiros é assim que a banda toca. Também conhecidos por eleitores, os brasileiros, sejam eles de direita ou de esquerda, só são procurados e santificados em anos eleitorais.

Passada a eleição, o cidadão volta a ser somente um traço. Da mesma forma que sinto falta de poetas e intérpretes como Chico Buarque, Cartola, Nelson cavaquinho, Monarco, Assis Valente, Herivelto Martins, Mário Lago, Dolores Duran e Dalva de Oliveira, lamento a ausência de homens públicos como Mário Covas, Ulysses Guimarães, Nelson Carneiro, Darcy Ribeiro e Franco Montoro, entre outros. Cada vez mais sombrios, os dias e os meses do Brasil giram mais rápido e a gente fica se sentindo como quem partiu ou morreu.

O fato é que a maioria do povo quer ter voz ativa, enquanto uma farta minoria luta contra a corrente. Como escreveu Chico, o resultado “é que a gente cultiva a mais linda roseira que há, mas eis que chega a roda-viva e carrega a roseira pra lá”. O pior é que também levam o samba, a viola, a confiança e, por extensão, a democracia plena. Uma pena, mas tudo indica que, embora se utilizem diariamente de metáforas ultrapassadas e doentias, a que a outra gente quer vai além do controle absoluto e definitivo do poder.

A forma como os chamados patriotas criticam os defensores da democracia acalenta o simbolismo de um desejo incontrolável de desestabilizar a vida do brasileiro que aspira dias melhores e, principalmente, de apagar qualquer sensação de liberdade, de otimismo e de esperança. É assim, nessa física irracional, odiosa e que não levará a lugar algum, que hoje vivem os brasileiros de um segmento político e de outro. Enquanto isso, a roda gira freneticamente contra todos.

A situação eleitoral é caótica, mas, como ainda acredito na poesia, espero que o amor um dia seja capaz de inventar a química para uma mudança real e permanente. Quando esse dia chegar, quem sabe determinados comportamentos políticos e sociais deixem de ser indissociáveis uns dos outros. É a tão sonhada oportunidade para nos livrarmos de tanta insensatez e da torcida escancarada pelo caos e pelo fim da liberdade. Os que teimam em agir assim esquecem que os temporais incomodam e assustam a todos.

Em outras palavras, pau que bate em Chico, bate em Francisco, já diz o ditado popular. A negritude do céu e o chumbo correndo pelas ruas atingirão gregos e baianos. Só para lembrar aos mais esquecidos, certa ou errada, é a democracia que permite que o eleitor se manifeste secreta e soberanamente. Eu ainda não me cansei de ser livre. Por isso, à direita, ao centro ou à esquerda, que vença o que for melhor para o país. Mas que vença democraticamente.

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Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais

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