Meus caros brasileiros e brasileiras, fechem os olhos e apertem os cintos, pois os deputados e senadores estão de volta à Casa dos Horrores. Pelo sim, pelo não, se segurem nas poltronas, fechem o zíper do bolso e escondam o título de eleitor. Monotemático e cada vez mais matemático, o Congresso de Hugo Motta (Republicanos-PB), Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) em nada difere do picadeiro comandado pelos tenores Eduardo Cunha (RJ), Arthur Lira (AL) e Ciro Nogueira (PI), tudo sob o olhar desatento do então presidente Jair Bolsonaro. Aliás, foi nessa época que surgiu a indelével e sofrível associação entre o bolsonarismo e o Centrão.
Antes do casório forçado, o general Augusto Heleno (logo ele) relançou para o Brasil a nova versão do épico pagode Reunião de Bacana, lançado em 1980 pelo extinto grupo Exporta Samba. A mídia nunca explorou a variante mais moderna da música, simbólica e silenciosamente denominada por Augusto Heleno de Reunião de Sacana. Tanto que, durante a campanha eleitoral de 2018, em uma convenção do PSL, o general insinuou que os integrantes do Centrão não eram santos, deixando claro que os políticos do bloco representavam a “materialização da impunidade”. Depois do acerto entre as partes, tudo mudou e, de afanadores do que é público, os membros do Centrão viraram os melhores amigos do general e de boa parte do governo do capitão. Verdade?
Claro que não! Se fossem, estariam todos juntos na Papudinha. Criado nas sombras do Congresso, o Centrão não tem amigos, mas sim parceiros econômicos. O coração, a alma e os votos do bloco parlamentar são de quem der mais. Foi o caso de Bolsonaro, é o caso de Luiz Inácio e será o caso de quem vier. Representando a nata da politicagem em benefício próprio, o grupo não permite a entrada de pobres. São só doutores, senhores e enganadores. Como no pagode de Ary do Cavaco e Bebeto de São João, naquele ambiente pesado só se aprova o bagulho se deixar a grana.
Eu já tirei minha conclusão. De noite, de dia e, principalmente, de madrugada, se gritar pega Centrão, não fica um meu irmão. Aproveitando o escurinho, todos saem de mansinho até que venha a nova eleição. O problema é que ela (a eleição) chega e nada muda. Associadas à fome pelos recursos do Fundo Partidário, a fragilidade, a possibilidade de contaminação, a delinquência e a sede de fraude eleitoral são as mesmas. De vez em quando, mudam somente as moscas. Quanto aos eleitores… Nada vezes nada. Que continuem votando em quem só quer se dar bem.
Triste, mas real, o Congresso que já gerou manchetes nacionais hoje está restrito às páginas policiais. Os debates políticos e as discussões em plenário lembram os bate-bocas entre as donas de bordéis e os frequentadores indisciplinados, fanfarrões, mal-intencionados ou, na pior das hipóteses, devotos assumidos de Judas Iscariotes, o apóstolo que traiu Jesus. Por isso, com raras exceções, eles agem como Judas: traem o povo brasileiro como os bêbados traem suas consciências. São a prova de que a política é limpa. Sujas são as pessoas que a usam em benefício próprio.
O general Augusto Heleno cumpre um castigo domiciliar imposto pelo professor Xandão, Eduardo Cunha permanece à beira do abismo, Airton Lira tenta mudar de fase, Hugo Motta “lulou”, Sóstenes Cavalcante ainda não explicou os R$ 400 mil encontra em sua sala de jantar e Ciro Nogueira está à beira de um ataque de nervos diante da possibilidade real de ficar sem mandato. E o que sobrou? Pouca coisa que se aproveite. Entretanto, embora a atual política brasileira não seja necessariamente sobre progressistas e conservadores, resta ao eleitor romper com essa bobagem chamada polarização e, seja de esquerda, de direita ou de centro, escolher em outubro próximo aquele que verdadeiramente tenha vontade de representá-lo com respeito e sem roubalheira.
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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978
