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China aumenta poderio militar e adverte Ocidente

Pesquisadores americanos que descobriram um campo de silos para mísseis em construção no oeste da China afirmam que o país pode estar em meio à maior expansão já vista de seu arsenal nuclear.

Em relatório, a Federação de Cientistas Americanos (FAS, na sigla em inglês) compartilha imagens de satélite do local em que estariam sendo construídos os silos — estruturas subterrâneas usadas para armazenamento e lançamento de mísseis —, na província de Xinjiang.

As instalações teriam capacidade para acomodar cerca de 110 silos, volume semelhante ao de outro campo em construção identificado recentemente.

Localizado também no oeste da China, em uma área de deserto próxima à cidade de Yumen, na província de Gansu, o local teria espaço para 120 silos, conforme noticiou no mês passado o jornal Washington Post.

O campo de silos em Xinjiang foi descoberto com a análise de imagens de satélite comerciais. Os cientistas do FAS puderam, contudo, fazer uma avaliação mais detalhada usando material fornecido pela empresa de imagens de satélite Planet.

As instalações se localizam na cidade de Hami, a cerca de 380 km do campo de Yumen, e estão em um estágio menos avançado de desenvolvimento, ainda de acordo com o relatório.

Potências nucleares
Enquanto a China expande sua capacidade para armazenar e lançar mísseis nucleares, Estados Unidos e Rússia têm discutido o controle à proliferação de armamentos.

A aproximação entre a vice-secretária de Estado dos EUA, Wendy Sherman, e o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, está sendo vista como um primeiro passo para a retomada das negociações para redução do arsenal nuclear dos dois países – que, juntos, detêm 90% do poderio nuclear global.

Os dois representantes se reuniram em Genebra (Suíça) na última quarta-feira (28/7) para dar início a um diálogo sobre como “criar uma base para futuro controle armamentista e medidas de redução de riscos”. Uma segunda reunião está prevista para setembro.

Em seu relatório, os cientistas do FAS chamam atenção para o ambiente de cada vez mais competição entre as potências militares globais.

Países que possuem armas nucleares, continua o texto, têm desenvolvido seus arsenais, tanto nucleares quanto “convencionais”, e melhorado suas defesas antimísseis.

A China argumenta ter uma postura de “dissuasão mínima” em relação às armas nucleares, ou seja, manter armas em nível suficiente apenas para resguardar a segurança nacional. Diante do maior investimento de rivais nessa área, contudo, o limite do que o país considera “o mínimo” pode ser flexível e aumentar no médio prazo, dizem os cientistas.

A China conta com um estoque nuclear estimado de mais de 200 ogivas. Os EUA têm aproximadamente 3,8 mil, dizem analistas.

O Comando Estratégico dos Estados Unidos, órgão do Departamento de Defesa, expressou em um tuíte preocupação diante das informações reveladas pelo relatório na segunda (26/7): “Esta é a segunda vez em dois meses que o público descobre o que temos falado desde o início sobre a crescente ameaça que o mundo enfrenta e a atmosfera de sigilo que a cerca.”

No início de julho, o Departamento de Estado americano classificou como preocupante aumento da capacidade nuclear chinesa, afirmando que o país parecia estar “se desviando das décadas de estratégia nuclear baseada na dissuasão mínima” e pedindo que Pequim se engajasse em “medidas práticas para reduzir os riscos de corridas armamentistas desestabilizadoras”, informa a agência Reuters.

O congressista republicano americano Mike Turner, que integra o Subcomitê de Forças Estratégias dos Serviços Armados na Câmara de Representantes, disse que a escalada chinesa é “sem precedentes” e configuraria uma ameaça “aos EUA e seus aliados”.

A recusa chinesa em negociar o controle de armas, disse ele, “deve ser motivo de preocupação e condena por parte de todas as nações responsáveis”.

Pequim, por sua vez, acusa os EUA de criarem um “inimigo imaginário” para supostamente desviar a atenção de seus problemas internos e suprimir a China internacionalmente. Também se disse pronta para conduzir diálogos bilaterais em segurança estratégica “na base da igualdade e do respeito mútuo”.

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