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Cirurgia de Bolsonaro já é vista como velho elevador

É direito de qualquer cidadão simpatizar, gostar, sonhar ou apostar em um partido, um político, um clube de futebol, um presidente da República ou em propostas e ideias. O inverso também é verdadeiro. Em minhas narrativas, jamais escondi a simpatia por um e a antipatia por outro. Nada além disso. Apesar da ojeriza às loucuras e às besteiras daquele pelo qual nutro adversidades profundas, em nenhum momento torci – ou torço – por sua desgraça. Embora seu futuro já esteja traçado, nunca comemorei sua desclassificação das quatro linhas.

Por conta e risco próprios, ele mereceu todas as mazelas que lhe foram impostas. No entanto, na simplória condição de eleitor adversário, lamento a perda total da liberdade. Certamente ele não pensaria o mesmo em relação a mim ou ao inimigo que escolheu para a vida. Azar o dele e de quem o segue. O gosto amargo do fel é somente para aqueles que, sonhando, discursando ou administrando, vivem para agredir, vilipendiar e, se possível, esquartejar o oponente.

Na verdade, o melhor caminho é matar o adversário exclusivamente porque, como vencedor e inimigo mortal, o deixou sem poder. Não podemos esquecer que foi ele quem deixou o povo morrer por conta de uma “gripezinha”, quem golpeou o país, tentou matar o adversário, esculhambou o país no exterior e depois chorou, soluçou e permanece apelando por uma anistia que jamais virá. Registre-se que, mesmo sem projetos, todos têm o direito de se apresentar como presidente da República.

O que não é permitido a ninguém é errar e colocar a culpa naquele que nada tem a ver com a incapacidade alheia. Ele, o presidente defenestrado, fez isso. Se deu mal, pois o Brasil e o mundo perceberam a tempo quem era o verdadeiro medíocre. Apesar do golpismo, até que não foi tão difícil tirá-lo dos palácios que costumava chamar de seus. Difícil tem sido convencê-lo de que seu castelo era de areia. Na véspera de mais uma cirurgia, que ele finalmente incorpore o espírito de Natal e se coloque à disposição do destino.

Estimulado pela soberba dos filhos, pela bajulação de políticos sem lastro, pela histeria de rebeldes sem causa e, principalmente, pela necessidade de poder, concorreu e ganhou, obviamente se utilizando de mecanismos sórdidos e ferramentas criminosas. Como sempre se achou acima do bem e do mal, perdeu, despareceu e retornou ao limbo de onde nunca deveria ter saído. Independentemente da pecha de mito, passou para a história como o pior presidente que o Brasil já teve.

Aportuguesando a narrativa, não sabendo que era impossível governar sem conhecimento de causa, ele foi lá e soube de modo cavernoso que não entendia nada de coisa alguma. Por conta do roteiro maldoso que traçou, ficou claro para o eleitorado brasileiro que a moral de políticos iguais a ele é como elevador: sobe e desce. O mais comum é enguiçar por falta de energia. O mais sério é parar de funcionar de vez, deixando desesperados os infelizes que confiam nele.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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