Me solidarizando com os brasileiros que temem qualquer nova investida presidencial do clã Bolsonaro, tenho apenas uma indagação e meia aos que teimam em apontar aptidões políticas, administrativas e sociais em alguém dessa família nada solidária. Vocês endoidaram de vez ou devo assumir que estou cego? Não tenho vocação para a perfeição. Entretanto, minha pouca inteligência impede que eu aceite como normal o clã Bolsonaro ser visto como o que há de melhor para a política brasileira.
Tudo bem que haja simpatia pela rudeza, belicosidade, golpismo e rompantes racistas, misóginos e xenofóbicos do mito. Inaceitável é que o vejam como um cidadão do bem, aquele que denominamos de acima de qualquer suspeita. Difícil imaginar como lógicos os nativos que, por razões que a própria razão desconhece, insistem em vislumbrar em Jair Bolsonaro ou quem ele indicar positividades para assumir cargos que os obriguem a lidar diariamente com pessoas.
A sequência de erros grotescos como político e os descalabros que o mito Messias protagonizou como mandatário falam por si. Com apoio de alguns espertalhões das igrejas evangélicas, de muitos medalhões do agronegócio, de figurões encastelados na Faria Lima e de dezenas de milhares de assumidos bobalhões da sociedade civil, a extrema-direita representada pelo famigerado clã aposta exclusivamente no poder. Na verdade, em todas as formas de poder.
Incompetentes até para esconder os malfeitos, os integrantes da grande famiglia – com apoio da massa que boia, mas não afunda – não escondem o desejo sórdido de se apossar da nação. Se alguém conseguir me provar o contrário, que tentem também me dar um único motivo para que eles não apresentem ao eleitorado nacional projetos de governo, propostas coletivas ou ideias compatíveis com os sonhos democráticos da maioria do povo brasileiro.
Repetir sem as necessárias provas que Lula é ladrão e que só Bolsonaro ou algum de seus familiares são capazes de tirar o banditismo petista do poder e minar a força do STF é mais do mesmo. Na melhor das hipóteses, é dissimuladamente fingir a inexistência da casa de chocolate e das rachadinhas e jurar que o ex-governador Cláudio Castro e a facção instalada na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro nada têm a ver com o clã. O mundo é um moinho. O vento carioca atiçou as hélices e o corte foi vertical. Poucos lobos bolsonaristas raivosos e gulosos ainda restam no covil da Alerj.
Não à toa e sem nenhum conceito vinculado à honestidade, os defensores do bolsonarismo, como ventríloquos de parquinho de diversões, se acostumaram a avaliar como ruim ou péssimo tudo o que já foi feito por Lula da Silva ou seus antecessores. É o exagero utilizado pelos apedeutas para desconstruir e desqualificar o que eles nunca conseguiram fazer, mas invejam. Desnecessário malhar em ferro frio, mas, diante do muro concreto do presente, me cabe uma última indagação: O que os representantes do bolsonarismo já fizeram de bom pelo país e pelo povo? Pelos poderes do deus Donald Trump, não vale mentir.
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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978
