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Colocar Flávio no poder é primeiro passo para entregar a nossa soberania

Repetindo a iniciativa personalista, grotesca, sacana, idiotizada e circense do pai Jair Messias, o senador e candidato Flávio Bolsonaro subiu em uma tribuna estrangeira para pedir que o governo de Donald Trump vigie o Brasil e os brasileiros durante as eleições de outubro. Talvez ele se imagine presidenciável imaginário de uma suposta republiqueta de bananas podres. Só assim o gesto do filho 01 pode ser entendido como normal. Aliás, a iniciativa do senador não poderia ter sido diferente da forma como a família pensa um governo.

Um país como o Brasil merece governantes menos ridículos, menos preocupados com o umbigo, mais competentes e, sobretudo, capazes de honrar a própria pátria. Um postulante à Presidência da República que simbolicamente joga a soberania da nação no lixo sujo de um outro país não merece respeito do seu povo. Se Flávio Bolsonaro não sabe, alguém precisa informá-lo que o Brasil não é um bairro carioca comandado por milicianos e habitado por marionetes de quinta categoria.

Mantida a obrigação de recebê-lo como candidato, imaginá-lo eleito significará a confirmação da estupidez congênita de parte de uma população que, além de almejar chegar ao Primeiro Mundo, se diz defensora dos princípios básicos da democracia. Como creditar capacidade a um político que, como medo da derrota, parte para o exterior, onde, a exemplo do pai e do irmão mais novo, decide achincalhar o país que deseja governar? Afinal, para que mesmo Flávio Bolsonaro foi eleito?

Lamentável, mas eleger novamente um Bolsonaro é assumir como correta a tese de um pensador desconhecido, para o qual os políticos brasileiros não são eleitos pelas pessoas que leem jornais, mas pelas que se limpam com eles. Particularmente, não tenho dúvida alguma a respeito da máxima de que a política é verdadeiramente a arte de escolher entre o desastroso, o intragável e o tolerante. A escolha é livre, secreta e, portanto, soberana. Eu fiz a minha e não me arrependo.

O eleitor brasileiro um dia perceberá que as mazelas políticas começam quando a sociedade decide enxergar no político, em vez de um servidor, um herói, um mito e, às vezes, um salvador da pátria. Embora saiba que é chover no molhado, enxugar gelo, não me custa novamente chamar a atenção do clã Bolsonaro para a necessidade de se discutir ideias e sugerir propostas honestas e capazes de atender a toda população, inclusive aquela composta pelos que pensam diferente.

É verdade que o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva está longe de ser o mandatário dos sonhos dos 213 milhões de brasileiros. Todavia, ele mantém acesa a esperança da maioria do eleitorado. Se realmente nosso objetivo é alcançar a prateleira das nações modernas, democráticas e forjadas com base na razão, temos de pensar em alguém com perfil superior ao de Lula. Eleger alguém com inteligência e vontade política inferiores e que priorize as paixões cegas e desinteligentes é apostar seu maior bem, o voto, em uma futura republiqueta sem esperanças e provavelmente sem bananas.

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Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais

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