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Congresso sem graça vive para fazer eleitor chorar

O Brasil mudou, mas alguma coisa está fora da ordem no país. Não é o povo, pois esse sabe o que quer. Talvez a massa que jamais soube onde está e, por isso, confunde sempre a grande obra do Mestre Picasso com a grande chibata do mestre de obras. É o retrato dos vários brasis, um deles hoje representado pelo que há de pior na política nacional. Perdão pelo sincericídio, mas qualificar de pior o Congresso eleito em 2022 é exagero dos mais exagerados.

Muito mais do que o palco de um circo sem lona de lugarejos remotos, o plenário do atual Parlamento é igual a uma sala de aula do Maternal 2. No máximo, Jardim 1. Pedindo desculpas antecipadas aos espíritos dos grandes políticos que já passaram pela Câmara e pelo Senado, recorro ao Aurélio para saber se há alguma diferença entre seres medíocres, estultos e mentirosos. Infelizmente, em se tratando de políticos são todos farinha do mesmo saco furado.

Como não é só a maquiagem que faz o palhaço, diria que os reis e rainhas do besteirol humorístico do Brasil perderiam feio para a eloquência hemorrágica de alguns muitos deputados e de senadores. Como citar nomes não é politicamente correto, melhor esconder as identidades das Ofélias, das Magdas, das Catifundas, dos Pedros Bós, dos Nérsons da Capitinga e, principalmente, dos Justos Veríssimos de cada dia.

Estou certo de que todos ruborizariam Dilma Rousseff, cuja verborragia macarrônica e desconexa sempre me pareceu mais estratégia do que desinteligência. Voltando ao palco sombrio e desqualificado do Congresso, os debates e discussões políticas realmente lembram um programa humorístico. O problema é que, apesar do custo altíssimo e da baixíssima qualidade, o humor dos congressistas serve apenas para fazer chorar o grande público do Brasil, também conhecido por eleitor.

Lamentável, mas pouquíssimas das atuais excelências foram eleitas para trabalhar pelo Brasil. Na rua, na chuva ou na fazenda, adquirida após o mandato, ou estão xingando o presidente da República, achincalhando os ministros dos tribunais superiores, falando mal da genitora dos adversários ou, o que é mais normal, se lixando para os pobres coitados dos brasileiros que passam fome, não têm emprego, moradia e clamam por uma cirgurgia eletiva. Definitivamente, alguma coisa está fora da ordem.

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