Graças ao esquema de corrupção gerenciado por Daniel Vorcaro, o Brasil está cada vez mais próximo da beira do abismo. Aliada à inclusão de nomes poderosos dos Três Poderes na agenda do banqueiro, tem contribuído para o lamaçal a inoperância e o desejo ardente do Congresso Nacional procurar pelo em ovos. Poucos têm dúvida de que o esquema e seus afluentes eram geridos por quadrilhas especializadas e de elevado poder operacional.
Todavia, a má índole dos integrantes da milícia tomadora de dinheiro à luz do dia não dá aos congressistas o direito de criar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito para fuxicar sobre a vida alheia. Ou seja, o desvio do meu, do seu, do nosso rico dinheirinho usado para cobrir o dia a dia de Vorcaro deixou de ser o principal objetivo de deputados e senadores. Como fofoqueiros de quinta categoria, as excelências envolvidas com a comissão divulgaram áudios de libidinagens, mas até agora não se debruçaram efetivamente sobre os crimes por eles cometidos.
O país está sendo saqueado por mais uma corrupção e, se depender dos homens que fazem leis, não há perspectiva nenhuma de melhora. E não há porque, o dinheiro do povo escorrendo pelo ralo, e os deputados e senadores vinculados a uma determinada corrente ideológica passando recibo, pois todos estão particularmente preocupados em buscar filigranas capazes de incriminar parentes do atual presidente da República e, por consequência, a candidatura que se avizinha como vitoriosa.
Com apoio explícito de um ministro do STF ligado à corrente, transformaram a CPMI do INSS em um Big Brother chinfrim e sem futuro. Como diz um amigo da lida da Justiça, seria a Lava Jato do Supremo Tribunal? Sinceramente, não é exagero imaginar que sim. Além de nociva ao andamento das investigações, a estratégia de vazamentos seletivos de Lulinha e de Vorcaro nos remete a 2014, quando o gruo Prerrogativas contestou os métodos da operação mal-conduzida pelo então juiz Sérgio Moro. Desnecessário ser jurista ou ter um mínimo de conhecimento para deduzir que as entidades do Congresso Nacional, a maioria de péssima conduta do Congresso Nacional, estão atirando no próprio pé direito.
Imbecilidade é o adjetivo mais honesto para qualificar a atuação dos parlamentares que decidiram vazar diálogos íntimos de alguns investigados, mais precisamente de Lulinha e de Vorcaro. Nenhum brasileiro honrado e consciente está interessando em saber quem pegou quem ou quem andou com quem. O que realmente interessa é calar a boca suja daqueles que têm rabos imensos. Aliás, também é bom informar aos de rabo preso que é melhor pensar duas vezes antes de cutucar a onça. Parafraseando o coordenador do Prerrogativas, advogado Marco Aurélio Carvalho, a imagem de Vorcaro perante a sociedade é a prior possível. Contudo, “a exposição midiática desnecessária da privacidade dele é a espetacularização da Justiça Penal”. É a palhaçada oficializada no já combalido Parlamento nacional.
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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978
