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Defensor de Dilma compara impeachment a quimioterapia que pode matar paciente

Reunião da Comissão Especial do Impeachment no Senado ouve especialistas em defesa da presidente Dilma Rousseff (Antonio Cruz/Agência Brasil)

O ex-presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) Marcello Lavenère, um dos autores do pedido de impeachment contra o ex-presidente Fernando Collor, comparou o processo de impeachment a uma “quimioterapia pesada”, que pode “matar o paciente” se for receitada de maneira errada. A declaração foi dada em reunião da comissão do impeachment no Senado nesta terça-feira (3), onde foi convidado a falar como especialista contrário ao impedimento.

“Não havendo crime dessa natureza (de responsabilidade), quem por acaso aderir a essa posição, está fazendo aquilo mesmo que um médico que prescreva uma quimioterapia pesada a quem se apresenta com um corte na mão ou um leve resfriado”, disse Lavenère. “A quimioterapia pesada… quando ela não é o último recurso, ela pode matar o paciente. Tem efeitos colaterais terríveis”.

Lavenère também comparou o processo atual com o do ex-presidente Collor, e disse que, daquela vez, o presidente tinha cometido um crime, difeerentemente de Dilma.

“Não acredito que, consciente e sinceramente, alguém diga que pedalada fiscal, plano safra e decretos de abertura de crédito constitua crime”, afirmou.

O advogado disse também que é preciso tomar cuidado com as consequências de um eventual impeachment da presidente Dilma.

“Se ele [o impeachment da presidente Dilma] se realizar? Quem fica com o pré-sal? Como vai ser a Previdência Social? Quem acredita que a CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) vai continuar defendendo os trabalhadores? Quem acredita que um programa chamado “Ponte para o Futuro”, melhor chamar de “Ponte para o Buraco”, que foi até piorado… Dizem que o vice-presidente até piorou o programa”, disse Lavanère ao se referir ao programa lançado pelo PMDB em outubro de 2015 e que teve alguns novos temas divulgados nas últimas semanas.

Além de Lavènere, também participam o professor adjunto de Direito Financeiro da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), Ricardo Lodi Ribeiro, e o professor de direito processual penal da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Geraldo Luiz Mascarenhas Prado.

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