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Deputados democratas pedem impeachment de Trump

Um pequeno grupo de deputados democratas apresentou nesta quarta-feira, 15, a terceira iniciativa congressista para abrir um julgamento político – que pode levar a um impeachment – contra o presidente Donald Trump, alegando que “condutas ilegais” mantidas pelo republicano seriam motivo para sua destituição.

A iniciativa, no entanto, não foi respaldada pelo líder democrata na Câmara, que coloca como prioridade do partido neste momento ampliar a visibilidade para as políticas e condutas adotadas pelo republicano, consideradas impopulares e com potencial de causar impacto negativo sobre o governo.

“Um grande número de democratas acredita que este presidente deve sofrer um impeachment”, disse ao site especializado Político o líder da minoria democrata na Câmara, Steny Hoyer. “Mas fizemos a avaliação de que os fatos ainda não permitem tomar essa atitude”, completou.

O partido também debateu sobre a relevância política de uma possível impugnação do mandato de Trump, já que existe o receio de que uma postura muito agressiva nesta questão poderia provocar uma reação da base conservadora do republicano nas urnas nas eleições de meio de mandato, em 2018.

“Fizemos um chamado para que a Câmara comece as audiências para destituição (de Trump) imediatamente”, afirmou Steve Cohen, eleito pelo Tennessee, ao mostrar para jornalistas nesta quarta os artigos que compõem o conjunto de acusações necessárias para dar início a um julgamento político de um funcionário público nos EUA.

Segundo Cohen, mesmo sem apoio da liderança a iniciativa conta com o copatrocínio de outros cinco deputados democratas: Luis Gutierrez, de Illinois, Al Green, do Texas, Adriano Espaillat, de Nova York, Marcia Fudge, de Ohio, e John Yarmuth, do Kentucky. Ele garante, porém, que mais uma dezena de legisladores também estariam dispostos a assinar o texto.

De acordo com as normas do Congresso americano, para impugnar um presidente é necessário o voto da maioria dos 435 membros da Câmara dos Deputados. O partido republicano controla a Câmara com uma vantagem de 46 cadeiras o que, por enquanto, torna a possibilidade de uma votação ou de audiências sobre o assunto praticamente nulas.

Cohen afirmou que suas acusações contra Trump incluem obstrução de Justiça relacionada com as pressões e a posterior demissão do então diretor do FBI James Comey, em maio, em razão da investigação conduzida pela agência sobre a suposta interferência da Rússia, em conluio com a campanha de Trump, nas eleições presidenciais de 2016.

O texto também cita uma suposta violação por parte do presidente da cláusula de emolumentos da Constituição americana, que proíbe um presidente no exercício do cargo de receber dinheiro de um governo estrangeiro.

Cohen e os outros democratas acusam Trump de usar a função de presidente para enriquecer direcionando assuntos do governo para suas propriedades, incluindo seu Trump Hotel a poucas quadras da Casa Branca, e seu resort Mar-a-Lago, na Flórida. O legislador também diz que o presidente tenta debilitar o sistema judicial federal e a liberdade de imprensa nos EUA.

Para Cohen, que representa um distrito com grande presença de negros, a medida poderia favorecer seu partido nas próximas eleições. “A base democrata precisa saber que muitos membros do Congresso estão dispostos a enfrentar este presidente e apresentar acusações, além de continuar lançando luz sobre um comportamento ilegal que ameaça nosso país”, disse.

Em julho, o deputado democrata Brad Sherman foi o primeiro legislador a apresentar formalmente uma acusação contra Trump. Outro deputado do partido, Al Green, fez o segundo pedido do tipo em outubro.

Green, que apoia os cinco artigos listados na acusação de Cohen, diz que as cláusulas constitucionais que descrevem a destituição presidencial foram “redigidas para um momento como este e para um presidente como Trump”.

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