O Nordeste brasileiro vive um momento de duas realidades simultâneas: de um lado, indicadores econômicos recentes apontam uma retomada consistente e até superior à média nacional em algumas frentes; de outro, crescem os sinais de que os desafios climáticos — e as políticas para enfrentá-los — exigem atenção e ações estruturantes para evitar que impactos ambientais comprometam ganhos sociais e econômicos.
Dados oficiais e análises econômicas mostram que a atividade econômica do Nordeste tem se recuperado nos últimos anos e, em 2024, apresentou desempenho acima da média brasileira, impulsionado especialmente por estados como Pernambuco, Ceará e Paraíba. Em 2024, o crescimento regional chegou a 4,0%, superando o 3,8% nacional, com destaque para os setores de serviços e indústria de transformação.
Além disso, projeções recentes indicam que a região continua a desempenhar papel relevante para o consumo interno do Brasil, previsão de R$ 1,5 trilhão em gastos das famílias nordestinas em 2025, superando mercados tradicionalmente fortes como o Sul.
Outro fator estimulante é a posição do Nordeste como um dos grandes polos de energias renováveis do país, respondendo por 91% da energia eólica e 42% da solar geradas no Brasil — um diferencial competitivo que torna a região atrativa para investimentos verdes e indústrias ligadas à transição energética.
De olho no desenvolvimento sustentável, instituições como o Banco Mundial destacam que investimentos em capacitação, infraestrutura e inclusão produtiva podem acelerar ainda mais a criação de empregos e reduzir desigualdades históricas na região.
Apesar das perspectivas econômicas animadoras, o cenário climático reflete um contexto de risco crescente. Os impactos das mudanças climáticas — como secas prolongadas, eventos extremos e variações pluviométricas — são já realidade em diversas áreas do semiárido, afetando agricultura, abastecimento de água e qualidade de vida das populações mais vulneráveis.
Em resposta, o Nordeste tem buscado soluções regionais para enfrentar esses desafios. Durante a COP30, realizada em Belém em 2025, foi lançado o Plano Brasil Nordeste de Transformação Ecológica, um ambicioso conjunto de propostas nacionais e regionais que visa conciliar crescimento econômico com sustentabilidade, justiça social e baixo carbono, com ênfase em energia renovável, economia circular e adaptação climática.
Representantes do Consórcio Nordeste reforçaram que a iniciativa pretende colocar a região como um modelo de economia verde e inclusiva, capaz de transformar vulnerabilidades ambientais em oportunidades de desenvolvimento sustentável.
Nem tudo são boas notícias. O setor agropecuário, por exemplo, ainda sofre com a variabilidade climática — com quedas de produção associadas a secas e extremos — mesmo em anos de crescimento econômico global.
Além disso, a necessidade de investimentos robustos em infraestrutura resiliente, políticas de mitigação de emissão e programas de adaptação climática para comunidades rurais e urbanas continua sendo um desafio central para autoridades e organizações civis.
O ano de 2025 deixou claro que o Nordeste vive um contraste histórico: por um lado, cresce sua relevância no cenário econômico brasileiro, com participação maior no PIB, forte mercado consumidor e liderança nas energias renováveis; por outro, os efeitos das mudanças climáticas impõem uma agenda urgente de adaptação, justiça ambiental e desenvolvimento sustentável.
Enquanto os indicadores econômicos projetam otimismo, os desafios climáticos lembram que o futuro da região depende tanto da forte economia interna quanto da capacidade coletiva de responder às vulnerabilidades ambientais que ameaçam o progresso conquistado.
