Encerrado sem começar, o circo político sob a lona da CPMI do INSS se volta para o front polarizado da guerra pelo andar mais nobre do Palácio do Planalto. Se a tentativa dos bolsonaristas da falida comissão era emparedar o presidente Lula por meios nada republicanos, alguns tão escusos como o fracassado golpe, ficou o dito pelo não dito. Depois de o STF implodir o bunker da oposição, a ruma de parlamentares denominados conservadores está perdida e enclausurada nos corredores e gabinetes do Congresso Nacional.
Sem projetos apresentados, consequentemente sem projetos para serem votados, os oposicionistas ao governo Lula merecem ser apelidados de oposição do buraco negro, aquela que tenta engolir todos os que se aproximam deles. Se fossem tão bons, brigariam pela Presidência da República sem paus, pedras e xingamentos. O eleitor brasileiro quer ouvir do candidato que eles defendem proposições honestas, ideias novas. As que não deram certo no passado nem tão distante certamente sequer serão ouvidas.
Embora claramente dividida, a população sabe exatamente quem é quem nessa contenda eleitoral. Os comparativos são assustadora e inquestionavelmente favoráveis a uma das correntes ideológicas. É essa corrente que lutou e continuará lutando pela democracia plena e absoluta. A CPMI do INSS não rendeu os frutos esperados pelos litigantes de má fé. E agora? Sem o governador paranaense Ratinho Junior e com a remota possibilidade de uma terceira via, o ringue presidencial sobrou para o estável e óbvio Luiz Inácio e para o insípido senador Flávio Bolsonaro.
Guardadas as devidas diferenças de conteúdo e de substância, que vença o melhor. Que vença aquele que faça um governo do povo, pelo povo e para o povo. Na verdade, vencerá o que tiver a bagagem mais robusta. Afinal, para governar um país continental como o Brasil não bastam arroubos, tampouco se mostrar como salvador de uma pátria que, por vias indiretas, um dos candidatos quase levou à bancarrota. Nessa altura de um campeonato que parece novamente caminhar para um a um, com chances de pênaltis, ser filho de fulano também não agrega valor algum. Em determinados colégios eleitorais, o parentesco, além de sinais da cruz à direita e à esquerda, tem gerado novenas intermináveis.
O fato é que, ao contrário do que afirmam alguns analistas políticos, os números não falam por si. Com todo respeito aos institutos sérios e aos duvidosos, mas, no meu sensitivo modo de ver, a metodologia digital não gera nenhuma confiança. Portanto, não me parece lógica a afirmação de que o postulante recém-chegado encostou, empatou ou já passou aquele que, bem, mal ou mais ou menos, vem dando conta do recado. Dizer que o país é o mesmo de 2022 é uma balela que não merece qualquer adjetivação. Considerando que quem realmente vota com um ou com outro segmento ainda não foi consultado pelos institutos de pesquisa, é cedo demais para formar opinião para lá ou para cá.
Enquanto aguardamos a abertura das urnas, não há dúvida de que, independentemente do surgimento de um fantasma de última hora, a disputa ficará limitada aos dois espectros já apresentados aos cerca de 160 milhões de eleitores. Por falta de propostas palpáveis e ideias capazes de permitir a futura construção de uma coletividade, o candidato da oposição informou esta semana que seguirá a política econômica implementada pelo pai durante os claudicantes anos de 2019 e 2022. Diante disso, só me resta pedir a Deus e a todos os santos para que conduzam o dedo indicador do eleitor no dia 3 de outubro. Que o Sim seja pela paz, pela indivisibilidade e, principalmente, pela manutenção da democracia. Até agora, o que vejo é um grupo preocupado em dar más notícias do governo e outro dando boas notícias do governo ao povo brasileiro.
……………
Sonja Tavares é Editora Política de Notibras
