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Deus pune quem usa seu nome em vão… e Planalto não é pra qualquer um

No Brasil da política do tipo encontro de marionetes fanáticas, muito mais relevante do que ser de direita, esquerda, centro ou da casa do cacho, é ser óbvio, lógico e, sobretudo, consciente. Todos sabem que, para ser presidente da República, não basta vontade, ser louco e achar que vai ganhar muito dinheiro sem a necessidade de trabalhar duro. A Presidência não se conquista com gritos, esperneios, agressões, ameaças, muito menos com a morte de adversários. Ser presidente não é tarefa impossível. Difícil mesmo é trabalhar pelo povo carente e desejoso de dias melhores.

Para chegar lá é preciso anos de praia, isto é, competência, conhecimento político, coerência, tolerância, vocação, empatia com o povo e, se conseguir, votos conquistados com honestidade e sem a necessidade de mentir até para si mesmo. Ainda que não seja tão limpa como as roupas lavadas com sabão Omo, uma ficha de trabalhos prestados à nação é condição sine qua non para o sucesso de uma candidatura à Presidência. E o que Flávio Bolsonaro, o filho 01, já fez? Como o pai, que um dia se apresentou como salvador da pátria, nada em benefício do país.

De pés juntos, mas de olhos bem arregalados e a boca aberta para novas benesses, 01 tem jurado para seus seguidores que permanecerá grudado no bordão Deus, pátria e família. Nada contra. Na verdade, tudo a favor, embora a frase tenha sido um mantra utilizado em larga escala por Adolf Hitler na Segunda Guerra Mundial. A diferença entre o Deus verdadeiro e o que ele põe na roda é abissal. Deus ou seu filho Jesus nunca desejaram mal a uma mosca, tampouco defenderam golpes, ódio aos antagônicos e tortura contra os que se manifestam em desacordo com as leis divinas.

Um candidato presidencial que se preza não pode se dirigir com deboche ou violência verbal aos apartidários ou aos eleitores de coloração diferente como inimigos. A escolha é livre. Pior é quando um postulante ao mais alto cargo da República se acha no direito de dividir o país entre “nós e eles”. Com sorte e um pouco de sapiência, qualquer cidadão atravessa o mundo. Como diria o jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues, sem sorte ninguém atravessa a rua. Na política, a sorte é sinônimo de esperança, conceito que aparece ou se renova de quatro em quatro anos.

A exemplo de 2018 e de 2022, o fenômeno da mentira eleitoral está de volta em 2026. Com a proximidade das eleições presidenciais e legislativas, os bolsonaristas raiz começam a se lembrar de tudo que não fizeram pela população brasileira. Lamentavelmente, boa parte da sociedade esquece de tudo que sofreu. É a parcela que prefere ter um político para chamar de seu. Em nome de coisa alguma, promoveram uma manifestação que quase acabou em tragédia. E de que adiantou a manifestação de Nikolas Ferreira supostamente em benefício de Bolsonaro?

De nada! O cristianismo pregado durante trechos da caminhada virou sinônimo de cretinismo no fim da jornada, quando o raio que quase partiu a multidão não impediu o deputado mineiro de continuar discursando contra Lula e contra o ministro Alexandre de Moraes. Como a sorte respeita os valentes e oprime os covardes, Lula e Moraes só lamentaram pelos feridos. Quanto à enganosa marcha, vale lembrar que Bolsonaro continua preso, Lula é o presidente e deverá sê-lo até 2030, o Brasil permanece acima de tudo, Deus sempre estará acima de todos e, o mais importante, a tornozeleira se mantém abaixo do joelho.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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