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Disputa de poder bate na porta do Planalto e liga alerta no governo Lula

Por trás do debate sobre o Banco Master, uma disputa maior começa a ganhar forma no debate público. Para analistas e comentaristas políticos, o episódio revela muito mais do que um problema isolado envolvendo uma instituição financeira média. Ele expõe, segundo essa leitura, um jogo de forças que envolve poder político, sistema financeiro e a reorganização de interesses em torno do atual governo.

O jornalista Cláudio Dantas chamou atenção para esse movimento ao afirmar que parte da direita estaria errando o alvo ao concentrar ataques exclusivamente no Banco Master. Segundo ele, o banco se tornou apenas a face visível de um sistema muito mais amplo, que historicamente se beneficia da proximidade com o poder político.

Na avaliação apresentada, o Banco Master teria assumido o papel de bode expiatório. Um banco médio, que utilizou estratégias semelhantes às adotadas por outras instituições do mercado ao longo dos anos, mas que acabou se tornando o centro da narrativa pública. Enquanto isso, estruturas muito maiores permaneceriam fora do foco.

Dantas sustenta que os grandes bancos sempre tiveram forte protagonismo nos governos do Partido dos Trabalhadores. Durante os mandatos de Lula, essas instituições registraram lucros recordes e consolidaram posições estratégicas no sistema financeiro nacional. Para ele, isso não aconteceu por acaso, mas como resultado de uma relação histórica de alinhamento entre poder político e interesses econômicos.

Nesse contexto, o caso do Banco Master ganharia uma dimensão maior. Não seria apenas um episódio isolado, mas parte de um rearranjo silencioso de forças, no qual instituições, mercado financeiro e ambiente político operam de forma coordenada, ainda que informalmente.

A análise aponta ainda para um ambiente institucional que favoreceria essa dinâmica. Banco Central, Judiciário e setores da mídia atuariam dentro de uma lógica que, consciente ou não, acabaria sustentando esse modelo. Não por meio de conspirações explícitas, mas pela convergência de interesses, discursos e prioridades.

É nesse ponto que surge o alerta central do discurso de Dantas: enquanto a direita concentra esforços em atacar um único alvo, deixa de perceber o movimento mais amplo. Ao mirar no Banco Master, acabaria reforçando uma engrenagem que beneficia exatamente o grupo político que pretende combater.

Segundo essa leitura, o presidente Lula não precisaria se expor diretamente. O sistema operaria por si só, reorganizando forças, neutralizando conflitos e preservando estruturas de poder que atravessam governos. O risco, segundo essa visão, é estratégico. Ao não compreender a lógica do jogo, setores da direita acabam contribuindo para a consolidação de um cenário que pode favorecer, novamente, um projeto de continuidade no poder.

O caso do Banco Master, portanto, deixaria de ser o centro da discussão e passaria a ser apenas o sintoma visível de algo maior. Um movimento que, se não for compreendido em sua totalidade, pode seguir operando sem resistência, longe dos holofotes, enquanto o debate público se perde em alvos periféricos.

A análise não aponta culpados diretos, mas levanta uma pergunta incômoda: quem realmente se beneficia quando o foco está no lugar errado?

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Dora Andrade é Editoria de Economia de Notibras

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