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Disputa entre a caneta do STF e o humor do eleitor

Foto/Arquivo Notibras

A corrida pelo Palácio do Buriti, epicentro do poder no Distrito Federal, entrou em modo de tensão máxima. Não se trata apenas pelo embate nas urnas, mas pelo fator jurídico que pode redefinir completamente o tabuleiro eleitoral antes mesmo da largada oficial.

Levantamentos internos de partidos, do tipo daqueles que não chegam às manchetes, mas circulam com voracidade nos bastidores, indicam um cenário de empate técnico. A governadora Celina Leão (PP) aparece com 32% das intenções de voto, enquanto o ex-governador José Roberto Arruda (PSD) soma 28%. A diferença, como se diz no jargão, cabe dentro da margem de erro, e fora dela, cabe a incerteza.

Mas o verdadeiro fiel da balança não está nas ruas, nem nos palanques. Está no Supremo.

O destino de Arruda não depende apenas do eleitor, mas de uma decisão da ministra Cármen Lúcia, no Supremo Tribunal Federal. Enquadrado na Lei da Ficha Limpa, o ex-governador aguarda uma definição que pode vir entre junho e julho, justamente às vésperas do registro oficial das candidaturas.

Traduzindo o juridiquês para o português das ruas, a eleição pode começar com um dos principais concorrentes fora do jogo.

Se vier a liberação, o pleito ganha corpo, disputa e segundo turno praticamente assegurado. Se vier o veto, abre-se uma avenida para Celina Leão como o Eixão e o Eixo Monumental, largos, asfaltados e sem pedágio, rumo a uma possível vitória ainda no primeiro turno, com os simbólicos 50% mais um voto.

Enquanto isso, o restante do eleitorado se pulveriza como poeira ao vento do Cerrado, e essa fragmentação beneficia diretamente quem lidera.

O ex-distrital Leandro Grass aparece com 23%, considerado o teto histórico do PT na capital, onde a rejeição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda impõe limites eleitorais claros.

Na sequência, nomes orbitam com desempenho modesto:

O índice de Izalci, aliás, não reflete a força do PL, mas sim a estratégia do bolsonarismo na capital. Lideranças de peso como Michelle Bolsonaro e Bia Kicis já sinalizaram apoio à atual governadora, consolidando uma aliança que embaralha a lógica tradicional de direita versus direita.

O cenário, portanto, é paradoxal, porque há números, há nomes e alianças, mas falta a peça central para fechar o quebra-cabeça.

A depender da decisão que sair do STF, Brasília pode assistir a duas eleições completamente diferentes:

No fim das contas, o eleitor do Distrito Federal pode até ir às urnas em outubro. Mas a eleição pode começar e talvez termine muito antes, nos corredores silenciosos da mais alta Corte do país. E como Brasília já aprendeu, nem sempre o voto é o primeiro capítulo da história. Às vezes, é apenas o último.

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