Há personagens na política que constroem pontes. Outros, constroem discursos. E há aqueles que, simplesmente, saltam de galho em galho, sempre à procura da árvore mais conveniente da estação.
Cristovam Buarque é uma dessas figuras, que volta à cena eleitoral como quem nunca saiu. Aos 80 anos, prepara festa para celebrar sua filiação ao PSB, com planos de disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Nada contra a longevidade política, que, ao contrário, pode ser virtude. O problema, no caso, parece ser outro: a ausência de raízes.
O currículo é respeitável. Ex-reitor da Universidade de Brasília, ex-governador do Distrito Federal, ex-ministro da Educação no governo Luiz Inácio Lula da Silva — de onde saiu de forma constrangedora, demitido por telefone —, ex-candidato à Presidência da República e duas vezes senador. Uma biografia que, por si só, dispensaria malabarismos partidários.
Mas não é o que se vê. A título de recordação, Cristovam já foi PT, depois PDT, mais tarde Cidadania e agora desembarca no PSB, alinhando-se ao grupo de Ricardo Cappelli, que ensaia voo ao Palácio do Buriti. Uma trajetória que mais parece um roteiro de conexões políticas do que um projeto coerente de poder.
Na prática, o que se desenha é um político que não rompe, mas apenas migra. Não confronta; faz ajustes. E que não finca posição, apenas cuidando de reposicionar-se.
Há quem chame isso de adaptação. Outros preferem um termo mais direto: conveniência. Porque, no fim das contas, Cristovam não parece mudar de ideia. Ele muda de galho, e sempre para aquele onde a sombra é mais confortável. É assim que segue a política brasiliense, entre árvores antigas e galhos frágeis, onde alguns ainda tentam criar raízes… enquanto outros apenas procuram onde pousar até a próxima eleição.
