Fantasiado de Papai Noel, o pastor de araque Sóstenes Cavalcante escancarou na reza e acabou mostrando ao povo brasileiro que fé de menos é sinal de desesperança, mas que fé de mais pode provar, conforme o tamanho da oração, a certeza da corrupção e alguns anos de prisão. Impressionante, mas os mesmos deputados, senadores e simpatizantes do partido conhecido por Papuda Lotada (PL) insistem em denominar o presidente Luiz Inácio de ladrão.
Na maior cara de pau, eles estão tirando R$ 61 bilhões do Orçamento da União para emendas parlamentares, achacam os bolsos do contribuinte e não se envergonham disso. Pelo contrário. Guardam em caixas sob a cama o que não podem acomodar nas cuecas. E depois dizem que os desafetos políticos é que roubam. Essa é a agenda positiva do partido de Valdemar Costa Neto e da maioria dos aliados do clã que debocha de quem recebe-mínimo, hoje fixado em R$ 1.621.
O caso Jordy-Sóstenes, ambos cariocas do tipo santos do pau oco, aqueles que só dão no pau, me faz lembrar aquela famosa frase bíblica do Evangelho de João, cujo texto nos convida à compaixão e nos leva à certeza de que todos são falhos e devem refletir sobres suas próprias imperfeições antes de condenar os outros. É por isso que a pequena fortuna encontrada pela Polícia Federal na casa de Sóstenes merece uma avaliação menos esquerdopata.
Afinal, quem nunca vendeu um imóvel por R$ 430 mil e levou o dinheiro para casa em sacos pretos de lixo, pense bastante e somente depois atire a primeira Bíblia ungida pelo bispo Edir Macedo. Pastor de ovelhas desgarradas e patriotas, Sóstenes é apenas um parlamentar guloso. Anunciado por Hugo Motta como um enviado de Deus, o deputado do PL é um homem de moral escondida no cartão de crédito e muito bom na arte de ganhar dindim.
Ele só é ruim quando ora no microfone dourado exigindo o dízimo de seus seguidores espirituais. Louco de amores pela generosidade das emendas, Sóstenes Cavalcante morre em cima do caroço de milho, mas tem tolerância zero para pagamentos feitos pelo modo PIX. Como um dos dois filhos de Francisco, ele faz seu show, vende a alma, mas quer receber dinheiro vivo. Muito justo, justíssimo. No meio em que a excelência anda, tudo pode acontecer, inclusive perder o que ganhou para o Valdemar. Por falar em perder, um mandato é muito mais importante do que dinheiro. Sem um ninguém consegue o outro.
Sóstenes já deve ter ouvido numerosas vezes esse mantra, mas fingiu que não ouviu. Na página dois do Evangelho Segundo o Eleitor está escrito que pessoas que pelo dinheiro vêm, pelo dinheiro vão. Irmão Sóstenes, fique atento, pois, em outubro vindouro, vossa salientíssima ratazana ouvirá quatrocentos e trinta mil vezes que o maldito dinheiro comprou a tal felicidade do vosso corrupto destino. Meus irmãos eleitores do Rio de Janeiro, como no atual Congresso a pilantragem virou estatística e a indignação é somente um ato rotineiro, oremos. Por fim, permitam que os políticos roubem suas ideias, mas nunca seus votos. Em 2026, dêem a Sóstenes o que é de Sóstenes.
