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Eleitores só aceitam candidatos fingidos porque vivemos em uma democracia

Parafraseando Luiz Fernando Veríssimo, o Brasil e o mundo não são ruins. Eles só estão mal frequentados. Além da dupla Donald Trump e Benjamin Netanyahu empurrando o planeta para uma crise econômica sem precedentes, o precipício brasileiro está logo ali. Sair ou chegar mais perto dele só depende de nós, os brasileiros que votam. Dizem os menos patriotas que estamos no fundo do poço. O problema são os mais patriotas, os que se acham acima de tudo e de todos. Para esses, o país já chegou lá e pode cair um pouco mais.

É como aquela máxima de que a crise nunca é tão ruim que não possa piorar. Não sou tão otimista para discordar dos que avaliam a nação como a metáfora do poço. No entanto, peço diariamente a Deus para nos livrar definitivamente daqueles que trabalham interna e externamente para que o fundo do poço brasileiro seja realmente apenas uma etapa. Para os deturpadores do pessimismo, os que vivem do caos, o abismo é somente o pretexto para o fascismo.

Associado aos nossos políticos do meridiano abaixo do baixo clero, aqueles que se escondem na penumbra, à espera de alguém em quem eles se pendurem, o candidato da impotência e do esperneio antecipados decidiu seguir o velho e escamoteado discurso do pai e, nos Estados Unidos, pediu para que o mundo acompanhe o processo eleitoral brasileiro e que, “se as eleições forem de fato justas e livres, ele as vencerá. Oxalá, o povo brasileiro faça com ele o que fez com o pai em 2022.

Pedindo escusas pela praga, lembro ao prezado público que a tentativa de melar as eleições perdidas por Jair Bolsonaro não partiu do presidente Lula, tampouco do Poder Judiciário. Aproveito a oportunidade para cobrar do candidato do conservadorismo arcaico e belicoso propostas propositivas e ideias reformadoras para o Brasil. O eleitor deixou de ser besta. Portanto, se ele realmente tem alguma preocupação com a pátria que opte por mostrar ao mundo a verdade sobre seu pai. Mito para alguns, Jair Messias agiu como déspota e, por essa razão, foi alijado da política.

É uma piada das mais sem graça ouvir Flávio informar aos norte-americanos que Jair Bolsonaro é o maior líder político do Brasil. Nunca foi e jamais será. Mentiroso, sempre mentiroso. Meu caro candidato, vossa insolência é brazuca e, por isso, tem o dever de pedir votos a seus compatriotas. Deixe Donald Trump e seus aliados em paz. Aliás, paz é o que eles não têm, mas libere os camaradas para os aiatolás. Mostre a seu mestre yankee e aos eleitores do seu país que tem capacidade e competência para ser presidente da República.

Tenha certeza de que, do modo com age, sua máscara cairá bem antes da abertura das seções eleitorais. Políticos com seu perfil são exatamente como os poetas: não passam de fingidores. Alguns fingem tão completamente que chegam a fingir que são perseguidos, que são honestos, trabalhadores e acima de qualquer suspeita. Sabemos que não, mas os aceitamos em nome de nosso bem maior: a democracia. Caríssimo candidato do extremismo extremado, lute e vença a eleição sem neuras, mentiras e com os votos que afirma ter. Serei um de seus súditos mais corretos. Me permita informá-lo que eu e a maioria esmagadora do eleitorado brasileiro reconhecemos que vós e seu principal adversário lutam pelo mesmo cargo. Entretanto, não sei me faço entender, mas temos certeza absoluta de que vocês não querem a mesma vitória.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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