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Estrela do PT trinca e pode implodir campanha para a longa corrida ao Buriti

O PT de Brasília decidiu brincar de engenharia política com dinamite acesa, e, como era previsível, a explosão veio antes mesmo da obra ficar de pé. A imposição de Leandro Grass, egresso do PV e convertido às pressas em “salvador da pátria petista”, não apenas atropelou a liturgia interna do partido como abriu uma cratera no campo da esquerda local. O que era para ser unidade virou um mosaico de desconfianças, vaidades feridas e cálculos eleitorais mal disfarçados.

Não se trata aqui de questionar a trajetória ou as credenciais do ex-presidente do Iphan. O problema é outro, mais profundo e atende pela palavra mágica ‘método’. Ou melhor, a ausência dele. Ao ignorar quadros históricos, rifar o debate interno e empurrar goela abaixo um nome com pedigree importado, o PT brasiliense resolveu testar até onde vai a elasticidade de sua própria base. Descobriu, rapidamente, que há um limite já foi ultrapassado.

Nos bastidores, o que se ouve não cabe em nota oficial. Lideranças tradicionais, que ajudaram a erguer o partido no quadrado, falam em “desrespeito”, “intervenção branca” e até “suicídio político assistido”. A insatisfação não é silenciosa, mas apenas estratégica. Ninguém quer sair primeiro da mesa, mas muitos já estão com a cadeira puxada para trás.

O resultado prático é que a esquerda chega fragmentada à sucessão de Ibaneis Rocha. E, em política, divisão não é detalhe, mas sentença. Enquanto adversários organizam palanques e afinam discursos, o campo progressista ensaia um duelo interno que pode custar caro nas urnas.

A pergunta que ecoa nos corredores do poder é simples, quase infantil: quem ganha com isso? Certamente não é o PT. Muito menos a esquerda como bloco. A resposta, ainda que ninguém queira admitir em voz alta, atende pelo nome de um pragmatismo eleitoral que transforma erros alheios em capital político próprio.

Ao apostar tudo em um nome imposto, o PT corre o risco de transformar uma candidatura em um símbolo de imposição e não de convergência, como aconteceu em 2022. E eleição, convém lembrar, não se ganha no grito, tampouco no carimbo. Ganha-se com base, diálogo e, sobretudo, respeito às próprias fileiras. Sem isso, o que se tem não é campanha. É implosão.

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Marta Nobre é Editora Executiva de Notibras

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