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Fanatismo ronda quem deseja poder absoluto

Conforme a máxima dos pensadores, quando o fanatismo e a intolerância entram pela porta, a razão e o bom senso saem pela janela. O primeiro conceito diz respeito àqueles que sentem necessidade de acreditar em algo, sem se basear em evidências ou raciocínio lógico. O segundo é a falta de habilidade ou vontade de aceitar opiniões, crenças, comportamentos ou características diferentes das suas. Para explicitá-lo, normalmente os agentes se manifestam por meio do desrespeito, da violência e do preconceito.

Suas raízes são o individualismo, o medo e, principalmente, o radicalismo. Pessoas com esses perfis são incapazes de conviver com a diversidade e, de forma natural, geram racismo, homofobia, xenofobia, sexismo e intolerância religiosa e política. Na prática, o que elas querem é a unificação de pensamentos, o que é impossível em uma sociedade plural como é a brasileira. Falta para os fanáticos e para os intolerantes o que eles mais exigem dos outros: respeito, conceito que deveria ser o princípio de tudo.

Deveria, mas não é. Respeitar o próximo é um aprendizado que começa no berço. O objetivo de ambos é que as pessoas mudem para pensar exatamente igual aos que, sem conteúdo, preferem destilar essas duas concepções conceituais. Sinal evidente de fraqueza, a intolerância é construída quando paramos de pensar. Semanticamente, ela pode ser definida como a indignação própria de quem não tem opinião.

De acordo com a teoria do filósofo alemão Arthur Schopenhauer, a intolerância é intrínseca apenas ao monoteísmo: um deus único é, por natureza, um deus ciumento, que não tolera nenhum outro além dele mesmo. É o caso da relação dos bolsonaristas e dos defensores do caos com o mito que eles produziram. Acima do suposto ser mitológico, nem mesmo a triste história de sua vida pública. Se depender deles, é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito.

Ferrenho crítico da intolerância baseada no fanatismo e na superstição, o historiador e escritor francês Voltaire não teve tempo de cunhar a frase que certamente seria repetida hoje por muita gente ao redor do planeta: o mundo está cheio de pessoas com um sorriso na boca e muito veneno na língua. No Brasil, há milhões deles. São os que, esquecendo que intolerantes são hipócritas ou rebeldes, chamam de inteligente apenas aqueles que pensam como eles.

Pode parecer contraditório, mas não há como tolerar pessoas intolerantes. Axé para quem é de axé, amém para quem é de amém, aleluia para quem é de aleluia, saravá para quem é de saravá e xô para todos que não aceitam a diversidade política, religiosa e partidária. De minha parte, evito sempre seguir a bula de quem vive comprimido.

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Armando Cardoso é presidente do Conselho Editorial de Notibras

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