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Flávio escolhe caminho da convergência para apoiar quem disputará o Buriti

O senador Flávio Bolsonaro durante sessão que aprovou MP que autoriza a participação de até 100% de capital estrangeiro em companhias aéreas brasileiras.

Nos bastidores cada vez menos silenciosos da política brasiliense, uma movimentação ganha corpo e deve se consolidar nos próximos dias. O que mais e ouve é que o senador Flávio Bolsonaro (PL) está prestes a declarar apoio total e incondicional à candidatura de Celina Leão (PP) ao Palácio do Buriti. A decisão, embora surpreenda pela relação de proximidade construída com José Roberto Arruda, segue uma lógica política mais ampla e, sobretudo, pragmática.

Arruda, que disputa o governo pelo PSD de Gilberto Kassab, carrega não apenas o peso de sua própria trajetória enlameada, mas também o alinhamento partidário que hoje orbita em torno de um projeto presidencial distinto daquele defendido pelo PL. Ao abrigar a pré-candidatura de Ronaldo Caiado ao Planalto, o PSD sinaliza um caminho que não converge com os interesses estratégicos do grupo bolsonarista.

É nesse ponto que a equação se resolve, uma vez que, ao optar por Celina, Flávio Bolsonaro deixa de lado afinidades pessoais e abraça um cálculo político de maior envergadura, ampliando, e não fragmentando, o campo de alianças da direita e centro-direita. Em vez de dividir forças em um cenário já competitivo, o senador que disputará a Presidência da República aposta na construção de uma candidatura mais robusta, com potencial de agregar partidos, tempo de televisão e capilaridade eleitoral.

A escolha também reforça um movimento mais sofisticado que vem sendo desenhado nos bastidores, traduzida como tentativa de reduzir resistências e ampliar o diálogo com setores que, embora não integrem o núcleo duro do bolsonarismo, podem ser decisivos em um segundo turno ou até mesmo na consolidação de uma vitória em turno único.

Celina Leão, por sua vez, emerge como peça-chave nesse tabuleiro. Atual ocupante do Buriti, ela conseguiu articular uma base que atravessa diferentes espectros ideológicos, consolidando uma posição de vantagem inicial. O eventual apoio de Flávio Bolsonaro não apenas reforça esse arco de alianças, como também injeta musculatura política em sua campanha, especialmente junto ao eleitorado mais alinhado à direita.

Nos bastidores, a leitura é clara, indicando que, ao se posicionar ao lado de Celina, Flávio não rompe pontes, mas escolhe com precisão quais delas atravessar primeiro.

Já José Roberto Arruda, mesmo com recall eleitoral e presença consolidada no imaginário político do Distrito Federal, passa a enfrentar um cenário mais desafiador. Isolado em um campo partidário que flerta com outras ambições nacionais, terá de buscar caminhos próprios para se manter competitivo em uma disputa que tende a se afunilar.

Com mais esse movimento, o senador, que trabalha para ocupar a cadeira que já foi do pai Jair Bolsonaro, mostra que dialoga não apenas com forças políticas de Brasília, mas visa diretamente um projeto nacional que se desenha para 2026, com menos dispersão, mais convergência; menos ruído interno, e, claro, mais construção de maioria. Tudo porque, como procuram ensinar seus assessores, em política, como se sabe, não vence quem tem mais amigos, mas quem escolhe melhor suas alianças.

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