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Fofoca para detonar honra vale ida ao inferno

Tão disputado como um prêmio acumulado da Mega-Sena, a íntegra das mensagens do celular de Daniel Vorcaro está valendo uma fortuna no mercado negro da política brasileira. No livre, o conteúdo já é por demais conhecido, graças a liberação para divulgação de todas as falas contidas no aparelho. Parafraseando o Barão de Itararé, por causa de titica, ninguém vai à botica, mas uma fofoca capaz de detonar a honra ou a força de um adversário vale uma ida ao inferno com passagem só de ida.

Melhor ainda se a tarefa contar com a ajuda de uma autoridade que, conforme a liturgia do cargo e a jura constitucional, deveria manter o que recebeu sob sigilo até do capeta. Não é o que estamos assistindo faz pelo menos duas semanas. Graças a essa autoridade, a oposição ao governo federal vem nadando de braçada no lodaçal criado por uma Comissão Parlamentar de Inquérito criada para apurar as patifarias do INSS.

Ou seja, tanto os que meteram a mão quanto os que supostamente trabalham para desvendar os mistérios da roubalheira do INSS parece que só entendem a linguagem dos milhões do presente e de um eventual futuro. Como o Brasil dos últimos tempos se transformou em república generalizada, de um lado e de outro, todos sugerem uma certa confissão de que os números falam, mas o zero não diz nada. Ou seja, pouco importa quem roubou de quem. Importante é saber por que a rapaziada ficou de fora. Os motivos da desconfiança são muitos.

Eu e milhões de brasileiros temos poucas dúvidas de que há alguma coisa de brutal na busca insana pelos burburinhos do celular de Vorcaro. Ainda mais valiosos são os nomes dos amigos do banqueiro e os contatos que ele manteve com autoridades acima de qualquer suspeita. Como o que se sabe atinge a gregos, patriotas, baianos e poderosos troianos, por enquanto para a sociedade e, principalmente, para o povo que vota, a impressão é que de noite até os brancos são pretos.

Entretanto, para O homem que sabia javanês resta a certeza de que, sem tirar e nem por, os integrantes da tal CPMI se aproveitaram da quebra de sigilo de figuras incluídas na agenda de Daniel Vorcaro para, por meio de uma vigarice, justificar a investigação de outra. Seguindo a cultura popular, é fácil concluir que um mamão acaba lavando o outro. No centro das atenções, há um Congresso sem razão, no qual todos gritam, mas ninguém admite ser chamado de fanfarrão ou de dono do balcão. É aquela história de que o macaco adora ver o rabo da cotia, mas não aceita que vejam o seu. Obviamente que o imbróglio não decidirá a eleição de outubro. Todavia, no Brasil do vale tudo pelo poder, inclusive rifar a mãe e não entregar, em um ano eleitoral quem pode mais, chora menos. Aguardemos o chororô. Quem dá mais pelo celular?

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