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Gato Tico traça 4ª vida diante dos velórios de Scooby, Coruja e Anta

Imaginemos uma fábula política com dois ou três personagens principais e uma ruma de coadjuvantes. Antes de adentrar na minha fictícia história, é bom explicar que fábula é uma narrativa curta, geralmente com animais que agem como pessoas, com o objetivo principal de transmitir uma lição de moral ou ensinamento. Não é o meu caso, pois não sou mestre de nada e, de tão errante, sou incapaz de exigir moral de imorais. Eu peço. Se atenderem, ótimo. Se não, um dia pagarão caro. Normalmente com o mandato e, em alguns casos, com a falta de liberdade.

Pois bem. De acordo com o dia a dia político do Brasil, não foi difícil mentalizar o Congresso Nacional e a Presidência da República em situações atípicas. Quem sabe eu consiga transformar a fábula em parábola e denominar singelamente o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) de coruja Sofia, o também deputado Carlos Jordy (PL-RJ) de Scooby-Doo, Jair Bolsonaro, chefe do clã, de Anta do Cerrado e o presidente Luiz Inácio de gato Tico. O resultado talvez seja ruim para uns e ótimo para outros.

São as histórias, nas quais nem sempre o vilão morre no final. Às vezes, ele nem morre, pois, como todos sabem, as crônicas mais importantes são aquelas que estamos escrevendo hoje. Como a história é minha e eu a conto conforme as vozes da consciência, a primeira voz que me surge é a da coruja Sofia. No atual cenário político, enquanto Sofia chirria, Scooby-Doo latia, a Anta assobia e, de longe, mas super antenado, o Tico mia. Lá ele…

Tudo isso para lembrar que, mesmo alvo dos corporativistas e mimadinhos do Parlamento, o gato Tico, que não é o de botas, manteve seu infinito otimismo. Fez ainda melhor. Depois de espartana e despojadamente cumprir sua pena, voltou à condição de sapo e decidiu fazer sua própria história, em vez de apenas viver contando a dos outros. A pouco menos de um ano das eleições presidenciais, o líder petista se prepara para subir mais um degrau na sua vida pública. Os números revelam que a tendência é o Lula 3 virar Lula 4 em outubro do ano que vem.

De acordo com as últimas rodadas de pesquisas eleitorais, Lula lidera todos os cenários eleitorais para 2026. A aprovação pessoal do petista subiu de 44% para 48%. O registro mais significativo é que Luiz Inácio não tem somente um adversário. São pelo menos dois dos quatro filhos de Jair Bolsonaro, quatro governadores e, agora, os presidentes da Câmara e do Senado, ambos em eterna disputa pela primazia de egos na Esplanada dos Ministérios. Voltando à fábula, como não há nada como o sonho para criar o futuro, a coruja e o Scooby pararam de sonhar quando pegos com a boca na botija.

Na verdade, nenhum deles consegue sequer acompanhar o gato Tico por uma razão pra lá de óbvia: ao contrário do cidadão comum, que tem medo do futuro, políticos como os citados morrem de medo do passado. Como em toda fábula, as virtudes e os defeitos humanos se transformam em lições de vida apresentadas no fim da narrativa. No caso específico, o gato Tico mia mais forte do que o chirrio da coruja, o latido do Scooby Doo e o assobio da anta. É a vida virando história. O mais importante não é o tempo que ela dura, mas o quanto ela é boa. É a nossa. Experimentando a plenitude da democracia, o que pode ser dito para os que ficaram pelo caminho é mais simples do que a própria razão: Vocês não fazem e jamais farão parte da história do Brasil. Engulam o choro.

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Sonja Tavares é Editora de Política de Notibras

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