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Governo vai capengando em suas batalhas no Congresso

Brasília (DF) 12/07/2023 Sessão do Congresso Nacional para apreciar e votar 22 vetos presidenciais e projetos de lei que abre créditos adicionais (suplementares) para vários órgãos do Executivo. Foto Lula Marques/ Agência Brasil.

Enquanto não consegue desatar os grandes nós no Congresso, o governo tenta extrair saldos positivos de uma agenda diversificada, mas de impacto limitado. Na economia, os sinais são ambíguos. Por um lado, o crescimento de 1,3% na prévia do PIB para o primeiro trimestre foi comemorado, superando até as expectativas do mercado. Porém, o movimento foi puxado pelo agronegócio e não se espera que o resultado se repita para o resto do ano.

Outro problema é que o crescimento só aumenta a convicção do Banco Central de que o remédio amargo dos juros altos deve continuar por um período prolongado para desaquecer a economia e, com ela, a inflação, como defende Galípolo. Além dos juros estratosféricos, outra insistência do mercado é com o corte de gastos. Para fazer um agrado, Fernando Haddad propõe novos cortes e medidas para aumentar a arrecadação, o que deve penalizar vários setores, em especial, as universidades públicas.

Mas o governo não pode viver só de medidas impopulares, ainda mais agora que além da alta no preço dos alimentos, explorada pela oposição, é preciso deixar para trás o escândalo no INSS. Foi pensando justamente no andar de baixo que Lula apresentou a medida provisória que beneficia mais de 40 milhões de brasileiros com descontos na conta de luz e isenta outros 60 milhões.

Fora da economia, Lula tentou gerar boas notícias na área da educação, onde vem acumulado mais críticas que elogios. A Nova Política de Educação a Distância (EaD) instituída via decreto do MEC não traz grandes mudanças, mas pelo menos ajuda a conter a disseminação de cursos privados baratos e de baixa qualidade pelo país.

Já na cultura, Lula aproveitou a reinaguração do Palácio Gustavo Capanema no Rio de Janeiro para premiar instituições e personalidades de destaque na área. Mas, mesmo numa agenda em que a direita tem pouco a oferecer, o governo conseguiu dar munição para o adversário. Afinal, a greve nas instituições públicas da cultura até foi esquecida, mas não Janja, que recebeu de Lula uma desnecessária premiação que cheira a nepotismo.

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Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile produzem o Boletim O Ponto  para o MST

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