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Guerra suja entre direita e esquerda acaba afogando o Brasil (e o povo) na lama

No Brasil onde, com exceção dos políticos, quase tudo é descartável, normalmente só é bom o que é ruim. Prova disso é a manutenção de deputados e senadores no Congresso Nacional por nada e para coisa alguma. Parasitas e gastadores do dinheiro público, as chamadas excelências costumam dar a vida para se manter no poder. Nesses tempos em que vale tudo por um mandato, a política brasileira se transformou em uma guerra entre direita e esquerda, notadamente a de cima para baixo, isto é, a briga insana pela Presidência da República.

É a época em que vale até comer pastel na feira livre. Infelizmente, nessa batalha entre os políticos e o país é notório que o grande perdedor é o Brasil. Na verdade, a nação perde sempre. Falida culturalmente, afundada no lamaçal da corrupção e injustamente ignorada por aqueles que deveriam defendê-la, a pátria amada se prepara para mais uma daquelas eleições em que o vencedor normalmente é o que paga mais. Eis a razão pela qual não saímos da lona.

Quando o país começa a dar sinais de recuperação, surgem novos falsos heróis dispostos a misturar água com óleo. São os demagogos. Fantasiados de representantes de Deus, eles se encapam de santos, se juntam aos intolerantes, crucificam os que estão tentando tirar a nação do abismo e, como moscas de padaria, se aglomeram sobre o amontoado de bosta deixado por seus antecessores igualmente indignos da grandeza da maioria do povo brasileiro.

Pleonasmo, redundância, ironia ou insistência besta, mas debater sobre demagogos e populistas e quem realmente pensa como estadista no Brasil é tarefa das mais fáceis. Basta lembrar de Winston Churchill e concluir que os primeiros decidem pensando exclusivamente nas próximas eleições, enquanto o segundo trabalha pensando nas próximas gerações. Por isso, não arredo pé da escolha que fiz quando prometi aos céus e às estrelas que jamais votaria em alguém que mata pelo poder, mas se finge de morto quando se torna alvo ao passar de dominador a dominado.

Estamos rodeados de figuras desse tipo. Lamentavelmente, boa parte do eleitorado finge que esqueceu o que os derrotados em 2022 fizeram (e fazem) contra a democracia. E fazem porque o que os move não é a razão, mas o ódio e a inveja de quem os venceu. Não temo nenhuma das candidaturas já postas, mas me preocupa a força que move determinados candidatos nessa luta contra a liberdade do povo. Ainda bem que, nos sistemas democráticos, ninguém vence eleições antes da contagem final de votos. No dia 4 de outubro, que vença o melhor.

É assim que pensam os democratas. É assim que penso. Até lá, torço para que nenhum eleitor termine em segundo plano após o resultado de um eventual segundo turno. Considerando que não existem políticos corruptos sem a ajuda de eleitores fanaticamente iludidos, me sinto na obrigação de lembrar que o preço da ignorância e do fanatismo político é a corrupção, a fome, a miséria, o desemprego, as injustiças e o consequente abismo social. Fazendo minhas as palavras de um pensador, lembro também que todos nós somos políticos, mas nem todos somos corruptos. É isso que nos torna diferentes deles.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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