Enquanto metade mais um dos brasileiros luta para manter no Palácio do Planalto um governante com a língua presa, mas com o rabo solto de amarras tirânicas e que briga leoninamente pela palavra liberdade, metade menos um dos brazucas trabalha dia e noite para recuperar o que perderam por pura incompetência política, administrativa e golpista do “ciclista” de jet ski. Ou seria tocador de bumbo sem fundo? Seja lá o que for, ele é o patrono de uma família na qual cada membro é o estorvo do outro.
Que o digam Jair Messias, Eduardo Bolsonaro e o último dos moicanos com alguma chance de incomodar Luiz Inácio. Trata-se do candidato que, como ventríloquo de mito, cavou a própria sepultura presidencial. Por obra e graça do irmão Dudu do Hambúrguer, Flávio Bolsonaro, o 01, subiu na corcunda de Donald Trump e, nos Estados Unidos, desandou a desancar a nação que nunca será sua. Alvo interno e externo, 01 pôs a prova o lado ruim do pai Jair e acabou ampliando o que ele mais temia: a rejeição brasileira ao nome Bolsonaro, conforme análise de um de seus aliados mais próximos.
Tudo indica que, sem ouvir os conselhos espirituais de Olavo de Carvalho, o candidato Flávio Bolsonaro esqueceu que os olhos piscam juntos, se movem juntos, enxergam juntos, dormem juntos, mas também choram juntos. Em vez de olhar em frente e se apresentar ao distinto público brasileiro com propostas e ideias diferentes daquelas que a gente não quer mais ouvir, o presidenciável de meia pataca preferiu se desgastar gratuitamente atacando o país ao qual jurou amor eterno.
Ainda bem que ninguém acreditou. Nem ele mesmo. E a direita, que passou décadas criticando a desunião da esquerda, hoje experimenta do próprio veneno. Expurgaram o paulista Tarcísio de Freitas da disputa, armaram a ratoeira para o paranaense Ratinho Júnior, deram um balão no gaúcho Eduardo Leite, mandaram o mineiro Romeu Zema para a Croácia e decidiram apostar no goiano Ronaldo Caiado, o governador que, a pretexto de manter os conservadores unidos, desuniu a rapaziada.
O resultado é que a família conservadora tende a derreter no caldeirão aceso antecipadamente por Flávio Bolsonaro. Apenas como apêndice à narrativa, interessante é que até mesmo o discurso familiar desse segmento é falho. Nos debates políticos, nos comícios e nas postagens eletrônicas para seus fanáticos seguidores, os conservadores adoram dizer que valorizam a família. Entretanto, alguns deles já tiveram duas ou três diferentes. O ex-presidente Jair Bolsonaro está na terceira.
Como ainda não descobri porque a galinha bebe água e não faz xixi, lembro aos 213 milhões de brasileiros que, como disse Machado de Assis, os programas políticos são sempre indispensáveis, uma vez que é por meio deles que o eleitor avalia determinada candidatura. Só para ilustrar, enquanto Lula tenta arrumar a casa, Flávio Bolsonaro viaja ao exterior para expor o Brasil ao ridículo. É o jogo sujo de um candidato que, como cachorro que corre atrás do próprio rabo, não sai do lugar. Então, por que continua? Seria um 1º. de abril prolongado?
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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978
