Véspera da Páscoa, o Sábado de Aleluia é uma festividade religiosa que recorda o aguardo pela ressurreição de Jesus. Na tradição popular, a data é usada para “Malhação de Judas”. Representados por figuras políticas ou públicas impopulares, os traidores são como ervas daninhas no Brasil. Eles brotam em todos os cantos do país, mas gostam de espalhar sementes em terrenos férteis de dinheiro público. Brasília é um celeiro para essa praga chamada político.
Por isso, malhar simbolicamente os que traem o povo se transformou em uma forma popularíssima de extravasar a insatisfação social. É claro que tudo começou com Judas Iscariotes, o apóstolo que vendeu Jesus Cristo aos soldados romanos por 30 moedas de prata. No entanto, comparado a certos entreguistas e corruptos brasileiros, Judas ainda pode ser avaliado como um cidadão respeitável. Prova disso é que ele se arrependeu, mas não pediu perdão, pois sabia que não seria perdoado.
Conforme a história, antigamente Judas era um traidor entre 12. Atualmente, são 11 Judas ao redor de um. Fácil de entender a metáfora, pois, entre Jesus e Judas, quem ganhou o céu do Brasil foi Jesus na pele daquele em que Deus e boa parte do povo continuam acreditando. O Judas moderno não se arrepende, nem se enforca. Travestidos de deputados, senadores, governadores, prefeitos, vereadores ou candidatos à Presidência da República, eles se fazem de vítimas, ferem, traem, golpeiam e depois posam de injustiçados e perseguidos.
O pior é quando tentam convencer o mundo de que o adversário direto é o vilão da história que ele mesmo escreveu com parágrafos inteiros recheados de mentiras. Embora sempre percam, os traidores nascem, crescem e morrem trapaceiros, manipuladores e golpistas. Tenhamos cuidado com aqueles que alguns chamam de família. Caso a gente permita, os agentes da figuração enganosa novamente se sentarão às nossas mesas e brindarão conosco como se nada tivesse acontecido.
No fim, ainda nos pedirão o sagrado voto. Na maioria das vezes, conseguem ser eleitos ou reeleitos. Nas situações mais explosivas ou sinistras, acabam presos. Como ovos de serpentes, figuras do tipo traíras eclodiram em série no Brasil dos séculos 20 e 21. Mais recentemente, a atuação de Judas como uma boa pessoa não durou muito. Graças a Deus, o pai de Jesus, ninguém consegue esconder sua verdadeira face oculta por longo tempo.
Tentam comparar Judas com Pedro, cujo nome político lembra o velho bordão do Banco Bamerindus, isto é, o tempo passa, o tempo voa e ele continua numa boa. No caso concreto, o problema não é lidar com o Pedro explosivo, aquele que diz o que pensa, que errou e voltou. Esse pelo menos não é perigoso. O problema é lidar com o Judas que, ao mesmo tempo que abraça, beija, acena e soluça, explode, manda explodir e depois foge para o berço de Satã. Como mensageiros da boa política, em outubro não nos esqueçamos de que o Diabo era um anjo e Judas um apóstolo. Até lá.
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Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais
