Brasília anda cansada de si mesma, dos mesmos nomes reciclados, das promessas que envelhecem antes de serem cumpridas e de uma política que, em vez de organizar o caos, parece, por vezes, administrá-lo com método. No meio desse cenário previsível, com tom quase protocolar, começa a ganhar corpo um nome que foge ao script tradicional. É o advogado Kiko Caputo.
Respeitado nos meios jurídicos, econômicos e sociais, ex-presidente da OAB-DF, oriundo de uma família que respira Direito há gerações, Caputo não chega como outsider folclórico, tampouco como produto de marketing eleitoral. Surge como construção, como um homem que entra no tabuleiro mostrando-se viável em meio à exaustão da política tradicional brasiliense. E talvez seja exatamente isso que o momento exige. Para que não pairem dúvidas, trata-se de alguém que não precise ser inventado.
Há, em torno de seu nome, um movimento silencioso, mas consistente. Três partidos disputam sua filiação, como se intuíssem que Caputo é bem mais do que um candidato; até porque, tem o crédito de um ativo político não desgastado, com potencial de diálogo institucional e trânsito em diferentes campos.
Como se guiado por Thêmis, a deusa da Justiça, Caputo atravessa a fronteira entre o Direito e a política não para abandoná-la, mas para carregá-la nos ombros ao longo da caminhada que pretende iniciar. E em tempos atuais, de decisões voláteis e discursos inflamados, a imagem de alguém conduzido pela racionalidade jurídica ganha peso. É como se ele surgisse quase como um antídoto à improvisação.
Ao seu redor, os três partidos que o cortejam se comportam como os mosqueteiros de Alexandre Dumas, prontos para empunhar suas espadas em defesa de um projeto comum, ainda que, no fundo, saibam que o verdadeiro valor está no nome que lidera a tropa. “Um por todos, todos por um” deixa de ser apenas lema e passa a ser estratégia.
Mas a escolha que se aproxima — com prazo até 3 de abril — não é trivial. Mais do que definir uma sigla, Kiko Caputo definirá o campo de batalha. E, principalmente, o tipo de governo que pretende oferecer a uma Brasília que já não se contenta com atalhos.
O Distrito Federal, esse recorte sofisticado e desigual do Brasil, parece pronto para testar algo diferente, como uma liderança que não grita mais alto, mas que organiza melhor; que não polariza por instinto, mas que articula por método.
Kiko Caputo começa, assim, a ocupar um espaço raro na política local. É o da viabilidade antes mesmo da candidatura formalizada. E isso, em Brasília, costuma ser meio caminho andado.
Se confirmada sua entrada definitiva na disputa, não será apenas mais um nome na urna. O eleitor verá, possivelmente, alguém que erguerá a bandeira consistente de devolver à política local algo que Brasília perdeu ao longo do tempo, do tipo previsibilidade com autoridade.
Por essas e outras – é o que se comenta nos bastidores -, talvez sob o olhar vigilante de Thêmis, Brasília volte a reconhecer que governar não é apenas vencer, mas equilibrar segurança, educação, saúde, transportes e habitação, tendo o cidadão sempre em primeiro plano.
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José Seabra é CEO fundador de Notibras
