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Lula leva tapas mas rejeita dar a outra face para Davi bater mais

Candidato a czar do Amapá, o senador Davi Alcolumbre não se sustenta com a sandália da arrogância, da pieguice e do sonho de dominar o Congresso e o governo por cinco segundos sobre a navalha da verdade. Imagina em uma disputa sobre honestidade, probidade, integridade e espírito público com Luiz Inácio, com a maioria esmagadora da Câmara e do Senado e com alguns ministros do Poder Judiciário. Quem sobraria? Talvez nenhum deles, mas, com toda a certeza, Alcolumbre viraria líder do grupo que se acostumou ao dá cá sem a contrapartida do toma lá.

Não defendo qualquer das criaturas envolvidas com a política. Entretanto, não há como negar que, entre os mais rasteiros, estão os que se associam a todo tipo de facção, desde que o tema em debate seja o poder e o que pode advir dele. É por isso que normalmente recomendo a inclusão da lei de causa e efeito na tese ulyssista de que a política é a arte do possível. Arredondando a narrativa, minha sugestão como cidadão, contribuinte e, principalmente, como eleitor é a de que canalhice tem de ser devolvida com canalhice. A rejeição a uma indicação ao STF e a derrubada de vetos à dosimetria de penas jamais serão esquecidas.

Poderoso à custa dos cargos que “conquistou” no governo Lula, Alcolumbre está, portanto, dependurado no Lula 3 até o último penduricalho do roscofe. Fisiológico e adesista desde o berço, o senador amapaense se julga a última bala do pacote. Nunca foi a primeira e certamente jamais será a penúltima. Como macaco que não olha para seu próprio rabo, o presidente do Senado é daqueles que, conforme seus interesses pessoais e regionais, engrossam o coro daqueles que politicamente vivem de denominar Lula de ladrão. São os mesmos que em dois dias jogaram as duas casas de leis na lama.

Não duvido que ele tenha sido o churrasqueiro no regabofe oferecido à oposição pelo senador Flávio Bolsonaro para comemorar a derrota da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal. É próprio de quem comunga com as safadezas comuns aos que só sabem fazer política com maldades, sacanagens e com rasteiras. Por inveja, medo ou necessidade atávica de poder, querer evitar o quarto mandato presidencial de Lula faz parte do jogo sujo da política.

Está claro que, liderada por Davi Alcolumbre e seus capachos, a oposição a Lula da Silva, estimulada por desejos primitivistas, se sobrepõe à democracia e ao país. É aceitável. Inaceitável é tentar ganhar a eleição com bandalheiras. Vençam, mas vençam honestamente e no voto. Só não tentem convencer os menos desinteligentes que a reprovação de Jorge Messias e a derrubada do veto à dosimetria de penas nada têm a ver com a campanha presidencial. Como o princípio da lei de causa e efeito significa que toda ação gera uma reação, não esperem que Luiz Inácio dê o outro lado do rosto para apanhar.

Quanto ao povo, a maioria deixou de ser besta. No capítulo anterior, muitos se deixaram enganar pelo discurso mitológico da honestidade. No atual capítulo, boa parte do eleitorado respirou fundo, acordou e dará a resposta ao desmantelo do Congresso em outubro. Acabou a era da alienação política. No meu caso, normalmente demoro para enxergar o lado ruim das pessoas, mas depois que enxergo elas podem chorar sangue que não me convencem mais. Se cuida, Davi Alcolumbre. Seus conterrâneos estão cada vez mais enxergando a verdade. Ex-todo poderoso, o também senador Ciro Nogueira (PP-PI) está na iminência de não ser reeleito. Se for, será na esteira de Luiz Inácio. Mais uma vez, se cuida, Davi Alcolumbre.

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Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais

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