O Hospital da Criança de Brasília finalmente retomou 100% da sua capacidade de funcionamento, mas é impossível comemorar sem indignação. Essa normalização só aconteceu depois da regularização dos repasses financeiros, feita em cumprimento a uma decisão judicial. Ou seja: não foi por sensibilidade, planejamento ou compromisso do GDF com a saúde pública. Foi por obrigação.
Após atuação do Ministério Público, o Governo do Distrito Federal (GDF) foi obrigado a liberar, com urgência, R$ 69 milhões para o hospital. E isso é apenas parte do problema. O passivo acumulado ultrapassa R$ 100 milhões em atrasos, um verdadeiro calote institucionalizado contra um dos serviços mais sensíveis da rede pública.
As consequências desse descaso foram devastadoras: leitos fechados, inclusive leitos de UTI, consultas canceladas, cirurgias suspensas, exames adiados. Cada atraso no repasse significou mais sofrimento, mais angústia e mais risco para crianças que não podem esperar. Saúde não admite parcelamento moral nem adiamento administrativo.
Diante desse cenário, é impossível não exigir que haja uma investigação séria e profunda sobre as contas do GDF. É preciso saber onde estão os recursos, quais prioridades estão sendo estabelecidas e por que prestadores de serviços essenciais estão sendo empurrados para o colapso financeiro.
Mais grave ainda é o silêncio do Buriti diante do calote aplicado ao Hospital da Criança. Governar também é prestar contas, explicar decisões e assumir responsabilidades, e é isso que esperamos dos nossos governantes.
