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Nem sempre quem trouxe à vida quatro rebentos tem direito a receber cafunés

Diz um ditado bíblico que um pai cuida de dez filhos, mas dez filhos não cuidam de um pai. Jair Bolsonaro que seu cuide, pois seus rebentos não parecem tão preocupados com sua ausência física. Muitas vezes, tenho a impressão de que os meninos só pensam em seus próprios umbigos. Flávio Bolsonaro, o filho 01, já deu mostras de que faz qualquer negócio para ser presidente da República. Pífio do ponto de vista jurídico, o argumento é que, eleito, tão logo chegue ao Palácio do Planalto liberaria o pai da Papudinha.

As coisas – a eleição e a liberdade de Jair Messias – não são tão fáceis como o senador candidato imagina. De qualquer maneira, em épocas carnavalescas, sonhar não custa nada. Vereador pelo Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro, o 02, está se lixando para seus eleitores cariocas (os mesmos do pai) e sonha acordado com a possibilidade de se eleger senador por Santa Catarina. Caçula dos homens, Renan Bolsonaro, o 04, não sabe como se redige um projeto de lei, mas é vereador em Balneário Camboriú.

Enquanto 01 viaja na maionese, 02 trai os supostos conterrâneos e 04 nada nas águas geladas, mas azuis, do litoral catarinense, Jair Messias está preso, vendo Luiz Inácio disparar nas pesquisas eleitorais e cada vez mais longe dos livros que jurou para Xandão que iria ler. E cadê 03? Para quem não se lembra, 03 é o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, o mesmo que ajudou a enterrar a carreira política do pai, jogou a dele no lixo da Flórida e ainda atuou como o camisa 10 de Lula nos contatos com Donald Trump.

Jair Messias está preso, mas Dudu do Hambúrguer está do outro lado do mundo, mais precisamente em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, onde foi visto surfando em uma piscina de ondas. As imagens do surfista de ocasião viralizaram e irritaram apoiadores e aliados políticos do pai presidiário. Donos das próprias narinas, os meninos estão no direito de arrombar a festa. Nada e nem ninguém pode impedi-los de ser feliz, de viver a vida com bem entenderem.

Para os bolsonaristas raiz, o problema é Jair Messias preso, mesmo acima de qualquer suspeita. A turma que chegou a saudar o golpe e que até hoje luta por uma anistia que não virá sugere uma vigília eterna em defesa de um mito que hoje não passa de um morto vivo. Em resumo, o problema deveria ser de todos, mas não é. Para 01, 02, 03 e 04, a vida é tão bela como a bela da tarde. Por isso, cada vez mais unidos, eles são aquele tipo de malandro igual a um cavalo marinho, isto é, finge que é peixe para não puxar carroça.

As reações dos bolsonaristas roxos também são válidas. Afinal, graças ao pai e não ao Espírito Santo, os filhos estão onde estão e, ainda que temporariamente, são o que são. É da natureza humana esse tipo omissão. Normalmente as criaturas alcançam determinado estágio e somem do criador. Pelo menos 01, 02, 03 e 04 mamaram nas tetas paternas enquanto puderam. Entretanto, como bons moços, passam a imagem de uma preocupação pra lá de despreocupada. Quanto aos apoiadores e aliados de Jair Messias, os meninos não dizem, mas certamente pensam: Malandro é malandro e mané é mané.

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