Notibras

 O contraste da segurança em diferentes espaços físicos no Nordeste

No Nordeste brasileiro, a segurança assume rostos distintos a depender do espaço físico observado. Entre muros altos, câmeras e portarias blindadas, e ruas abertas onde a vigilância depende mais da presença comunitária do que da tecnologia, revela-se um contraste que vai além da proteção: ele escancara desigualdades sociais, urbanas e de acesso a direitos básicos.

Em condomínios fechados, prédios empresariais e áreas privadas, a segurança costuma ser tratada como prioridade estratégica. Sistemas de monitoramento por câmeras, controle de acesso eletrônico, vigilantes treinados e iluminação adequada fazem parte do cotidiano desses espaços. Em capitais nordestinas como Recife, Fortaleza e Salvador, esse modelo cresce rapidamente, impulsionado pelo medo da violência urbana e pela busca por sensação de controle.

Para moradores e usuários desses ambientes, a segurança transmite tranquilidade — ainda que, muitas vezes, essa tranquilidade esteja cercada por muros que também isolam. Especialistas alertam que esse tipo de proteção cria “ilhas de segurança” desconectadas do entorno, reforçando a segregação urbana.

Do outro lado do muro estão as ruas, praças, paradas de ônibus e bairros periféricos, onde a segurança pública enfrenta limitações históricas. Falta de iluminação, policiamento irregular e ausência de equipamentos urbanos tornam esses espaços mais vulneráveis. Em muitas cidades do interior nordestino, a presença do Estado ainda é frágil, e a população depende da solidariedade entre vizinhos para garantir algum nível de proteção.

Nesses espaços, a insegurança impacta diretamente a mobilidade, o comércio local e a qualidade de vida. Mulheres, idosos e trabalhadores noturnos sentem esse peso diariamente, adaptando rotinas e horários para evitar riscos.

Apesar das dificuldades, iniciativas comunitárias têm mostrado força no Nordeste. Associações de moradores, projetos de urbanismo social e uso consciente da tecnologia — como grupos de alerta e câmeras compartilhadas — ajudam a reduzir a sensação de abandono em áreas abertas.

Ainda assim, especialistas reforçam: segurança não pode ser privilégio de quem vive entre muros. Investimentos em iluminação pública, ocupação de espaços urbanos, políticas de prevenção e policiamento de proximidade são fundamentais para equilibrar esse contraste.

O desafio nordestino está em transformar a segurança em um direito coletivo, e não em um produto exclusivo. Enquanto muros protegem alguns, ruas seguras beneficiam todos. Reduzir essa distância é construir cidades mais humanas, onde o medo não determine quem pode circular livremente.

No fim, a verdadeira segurança não se mede apenas por cercas e câmeras, mas pela capacidade de garantir dignidade, convivência e proteção em cada canto da cidade — do condomínio fechado à rua mais simples do bairro.

Sair da versão mobile