Pífios com foram e são os do pai para negar a trama golpista para impedir a posse de Luiz Inácio após a vitória eleitoral de 2002, os argumentos do deputado de mentirinha Eduardo Bolsonaro (PL-SP) contra o ministro Alexandre de Moraes são de fazer rir qualquer recém-matriculado sério nos cursos de direito. Dizer que um membro da mais alta Corte de Justiça do Brasil está envolvido com corrupção e violação dos direitos humanos não convence nem mesmo os meninos do Jardim de Infância. De qualquer maneira, o filho caçula do ex-presidente Jair Bolsonaro segue pressionando o governo dos Estados Unidos.
A ideia é achar uma brecha para punir Moraes, o juiz que está à frente do julgamento que, em breve, deverá levar Bolsonaro para a prisão. É claro que, para todo brasileiro, o cerceamento de liberdade é o caminho extremo para um cidadão que um dia a maioria do eleitorado elegeu presidente da República. Extremo, mas justo para quem articulou a ressurreição da ditadura no país, por meio da tentativa de um golpe que só não foi adiante porque uma dúzia e meia de militares verdadeiramente patriotas impediram o levante.
Democraticamente derrotado nas urnas, o grupelho comandado por Bolsonaro cooptou e incitou uma horda de vândalos a matar os eleitos e, dessa forma, garantir a continuidade do pior governo que o Brasil já teve. O primeiro passo foi destruir as sedes dos Três Poderes. Ficou nisso graças à eficiência do Alto Comando das Forças Armadas, à rapidez das autoridades constituídas e, principalmente, ao amadorismo dos golpistas. O crime de Alexandre de Moraes é julgá-los. É o que ele, apesar das queixas dos aliados de Bolsonaro, vem fazendo muito bem.
Incomodar mentirosos e manipuladores faz parte do jogo. O que é bom lembrar é que no domingo 8 de janeiro de 2023 nada teve de azul. Por isso, tentar transformar Jair Bolsonaro na Belle de Jour é o mesmo que dizer que o diabo sem rabo é um deus. Nem nos Estados, onde o inferno está instalado. Lá, versões absurdas como as de Eduardo Bolsonaro podem até colar, porque sabidamente o governo de Donald Trump é tão mentiroso como as lorotas contadas aos capatazes do presidente republicano por Eduardo e seu fanfarrônico Exército de Brancaleone.
Os argumentos apresentados ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, são frágeis como são frágeis os gritos sem eco da aliança parlamentar em torno da liberdade imerecida do ex-presidente. Como os loucos pensam que todos os outros são loucos, não será nenhuma loucura se, associado ao que já houve de pior na política brasileira, o governo norte-americano arrumar uma forma maluca de punir Alexandre de Moraes. Afinal, os frágeis de caráter e de intelecto são incapazes de discernir entre a verdade e a mentira. Seria o fim do mundo um presidente cujo país anda na corda bamba querer interferir em questões internas de outra nação.
Como nada parece impossível para o maluquete Trump, pode ser que sim, pode ser que não. Antes de “proibir” o ministro de pisar em solo americano, Eduardinho terá de explicar à Justiça do Brasil o que realmente faz nos EUA um deputado fujão que só pensa naquilo. Como ainda não abriu mão em definitivo do mandato, ele está por lá como parlamentar. E como tal, tenta apoio para interferir no andamento regular dos processos criminais contra o pai. Obviamente que não conseguirá. Moraes pode até perder os cartões de crédito com bandeira americana, mas Jair Bolsonaro jamais perderá a condição de réu como chefe de uma organização criminosa que tentou um golpe de Estado para mantê-lo na Presidência da República. Esperemos para ver até onde vai a loucura de um louco apenas por conveniência.
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**Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais
