Notibras

Oremos, porque o Congresso Nacional está acabando o recesso

Estamos a poucos dias do fim do melhor período de nossas vidas. Refiro-me ao recesso constitucional dos deputados e senadores. Para azar de todos, ele acaba neste último domingo de janeiro. Duvido que alguém consciente e que não seja master ou ligado a facções pense diferente. Com raríssimas exceções à direita, o povo brasileiro está em paz, longe dos mimimis e das barafundas parlamentares dos senhores que detestam alegria, harmonia e letargia. Esses preferem a patifaria. Respeitando as raras e escondidas exceções, o Brasil tem hoje o pior Legislativo de toda sua história republicana.

E não há necessidade de denominar o Centrão como câncer político e o bolsonarismo como a metástase desse mal crônico, nefasto e diabólico. Embora haja segmentos tão nocivos quanto, ambos são verdadeiramente a vergonha materializada no Congresso Nacional eleito em 2022. Como não sou dono da verdade, mereço críticas por excluir da narrativa nomes que os críticos adoram citar nas chamadas rodas de desabafo romanticamente fanatizado. Faz parte do jogo democrático falar de um em detrimento do outro.

No entanto, se realmente querem botar meu nome na macumba, tudo bem, mas me tirem antes do Serasa. Sem margem de erro, o que não faço é me calar somente porque, voluntária ou involuntariamente, sou parte do esquema. É mentira quando afirmo e reafirmo que a maioria dos atuais congressistas, notadamente os bolsonaristas, é especialista em legislar em causa própria? É falso quando dizem que boa parte dos deputados e senadores desta legislatura quer que o país e o povo se danem? Com diz o ditado, quem fala a verdade não merece castigo.

Interessante, mas, enquanto um grupo de bolsonaristas estrila contra o ministro Alexandre de Moraes e a favor da anistia aos terroristas do 8 de janeiro, o outro propõe projetos que beneficiam os próprios negócios. A lista dos parlamentares que unem o dia a dia do Congresso a seus negócios particulares é grande. Na verdade, é enorme. Recente levantamento de um importante site brasileiro mostrou que há 320 congressistas – mais da metade do total – no quadro societário de 924 empresas ativas. Ou seja, é a mistura clássica do público e do privado.

Não à toa, Câmara e Senado estão divididos entre bancadas representativas do empresariado. E o povo? Como dizia o fictício deputado Justo Veríssimo, que se exploda! O mais curioso é que são os mesmos deputados e senadores que sobem às tribunas das duas casas parlamentares e, se dirigindo a seus supostos eleitores, juram que ladrão é o governo de Luiz Inácio. Donos disso e daquilo, eles são santos e integrantes de um Brasil diferente, estranho e que, a contragosto dos que se escondem na mentira, ainda se recupera do abalo institucional provocado pelo bolsonarismo.

O país que esse povo habita é corrupto até a sola do pé. Todavia, paradoxalmente, falar em corruptores é comprar briga ou inimizade eterna. É a tal história do esfarrapado que não admite ser chamado de roto. De modo mais didático, esse tipo de cidadão lembra o fascista, cujo discurso se restringe à corrupção. Nunca a dele, é claro. Ele acusa, insulta e agride como se fosse puro. Entretanto, no poder, não hesita em torturar, roubar a liberdade e os direitos da população e, quando derrotados, em golpear a nação. Parafraseando o senador italiano Norberto Bobbio, mais do que corrupção, o fascista pratica a maldade. O Congresso volta à ativa na segunda-feira, dia 2 de fevereiro. Oremos!

………….

Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

Sair da versão mobile