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Outubro de 2026 começou a ser escrito em 2022. Agora falta esperar o epílogo

TSE - Tribunal Superior Eleitoral Urna eletrônica

Retrato mal-acabado da dinastia quase perfeita dos abutres do poder, boa parte dos políticos brasileiros é sinônimo de roteiro pronto para um filme de terror de quinta categoria. Recentemente, a bizarra, rocambolesca e estrogonófica história de um deles rendeu memes, piadas e paródias diversas. Ela acabou, mas ainda guarda um espaço no rodapé de um livro de páginas em branco para a prateleira das bibliotecas do Exército da Salvação. Aportuguesando o intróito, o Recruta Zero – ou seria o Sargento Pincel – poderá reivindicar tudo, menos a inclusão de seu nome como ex-presidente na História do Brasil. Soaria mal para aqueles que realmente fizeram história.

Embora respeite a viuvez de alguns, o fato é que o moço passou batido, deixando um rastro de desilusão nacional, cuja definição mais lógica, conforme o mestre Chico Xavier, é a visita da verdade. Se deixou saudades, elas se perderam no dia 30 de janeiro, Dia da Saudade. Para a maioria, ficaram as decepções, que, na prática, representam o fim trágico de um conto de fadas repleto de expectativas. E o prêmio de maior decepção dos últimos quatro anos vai para…? Apesar dos xingamentos que recebo diariamente e do rótulo de comunista, meu voto novamente seguirá o do eleitor que não se arrepende da escolha que fez a partir do sofrimento de mais de 200 milhões de brasileiros, inclusive o seu.

Para os que aproveitaram a promoção ou o crédito fácil da decepção, apenas duas palavras: Para-Béns. O castigo veio a cavalo. O abandono experimentado pela patriotada é o mesmo que os militares e aliados de peso impuseram ao Rolando Lero do Cerrado. O tempo é curto, mas a falta do que fazer nesses e nos próximos quatro anos talvez lhe reserve incursões em negócios de controle da língua, do respeito às mulheres e às minorias, da gastronomia sem pés de galinha nas ruas das grandes cidades e, quem sabe, alguns pulinhos pelo entretenimento, segmento em que poderia explicar com mais detalhes o avanço de sua imbrochabilidade.

No Brasil ainda há circos disponíveis para apresentações explícitas sobre o excitante tema. Como expectativa e realidade são antagônicas, é difícil mensurar antecipadamente que tipo de público estará no picadeiro. Quanto ao quantitativo, nem pensar. No entanto, certamente o deputado Marco Feliciano (PL-SP) sentar-se-á na primeira fila. Ele é um daqueles que não se conformam com a debandada de boa parte dos deputados do Partido das Lágrimas, alcunha do PL de Valdemar Costa Neto e de Sóstenes Cavalcante, para as hostes do governo de Luiz Inácio, o futuro Lula 4.

Do fundão dos considerados do baixo clero, o pastor Feliciano e suas madeixas importadas pelo menos é honesto: ele segura a brocha e o balde até o último pingo de tinta. Salvaguardando as descriminantes putativas do ser humano normal, restou ao Sargento Pincel pouca coisa além da possibilidade de reencarnar com menos arrogância, menos desprezo e ódio pelo povo, novo astral, novos pensamentos e, por consequência, mais conhecimento e respeito no trato da coisa pública.

A história é cruel com aqueles que pisam nas estórias alheias. A vida cobra a ausência de obras. Aí lembramos que o medo de ir para o inferno é sempre maior do que a vontade de chegar ao paraíso. Sem trajetória e sem história, resumiria o tempo político do capataz do gado golpista de forma sui generis: quanto mais ele fez parte, mas percebeu que não pertencia a esse mundo político. Quanto ao povo ordeiro e verdadeiramente patriota, um dia chegou o cansaço. Foi aí que a maioria se cansou de se fingir de pão para não levar linguiça. O resultado é que, em outubro, a história a ser contada começou a ser escrita em 2022.

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