Pacientes ostomizados denunciam que estão há quase um ano sem receber as bolsas de ostomia fornecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Teresina. Eles afirmam que a falta do material adequado provoca dor, queimaduras na pele e aumenta o risco de infecção.
A Fundação Municipal de Saúde (FMS), responsável pela compra das bolsas, informou em nota que o material já foi licitado e que a entrega depende dos fornecedores contratados.
Sem as bolsas corretas, muitos pacientes precisam improvisar ou usar modelos inadequados ao tipo de ostomia, o que agrava as lesões na pele. A paciente Maria Iranilde Meneses relata que está há meses sem receber o modelo indicado para o seu caso.
“Está queimada aqui [na barriga], e está com um tempo que eu não uso a bolsa adequada para mim. Eu chorei, minha menina foi botar [a bolsa], que não é adequada, aí eu chorei de dor”, afirmou.
A Associação dos Ostomizados do Piauí acompanha o caso e afirma que a falta de distribuição atinge centenas de pacientes. Segundo a vice-presidente da entidade, Rosário Sales, muitos deles estão usando bolsas de tipos diferentes das recomendadas.
“Tem pessoas usando bolsas que seriam de duas peças, convexas, e estão usando plana. Pessoas de ileostomia, que têm fezes líquidas, estão usando bolsa de colo. Essas pessoas estão tendo queimaduras absurdas na pele”, disse.
A associação afirma ainda que a FMS recebeu um prazo de 45 dias, a partir de 10 de fevereiro, para normalizar as entregas. “Há mais de um ano que estamos com a falta de bolsa”, afirmou Rosário.
Além do desconforto e das lesões, médicos alertam para o risco de complicações. O coloproctologista Rafael Correia Lima explica que o uso incorreto da bolsa pode causar infecções e agravar o estado de saúde do paciente.
“Se não houver cuidado adequado, os vazamentos podem causar queimaduras, lesões de pele e infecções. Alguns pacientes precisam de bolsas especiais, como as convexas ou de duas peças, que são mais caras e essenciais dependendo da ostomia”, disse.
Sem alternativa, muitos pacientes estão comprando as próprias bolsas, mesmo sem condições financeiras. “É o jeito comprar. Mesmo sem poder, a gente tem que comprar. É um direito nosso e nem isso a gente tá tendo mais”, afirmou a paciente Helena Augusta.
