Poucos brasileiros entenderam quando o governo federal teve oportunidade e não declarou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Esses dois últimos dias mostraram que realmente o tempo é o senhor da razão. O governo pode ter perdido o timing, mas não a razão, tampouco a melhor ocasião. É chegado o momento de o povo se unir de vez ao Executivo e ao Judiciário para mostrar à desavergonhada corja que se apossou do Legislativo que o Brasil não é uma casa de prostituição a céu aberto.
A sucessão de escândalos e de ações criminosas é a prova inequívoca de que o atual Congresso Nacional deve liderar a lista de organizações terroristas fincadas na terra de Pedro Álvares Cabral. Como a maioria dos nacionais, quero distância de Donald Trump. No entanto, diante de nossa inércia, fecho com ele caso venha a declarar o PCC como grupo terrorista. Sou até capaz de apoiá-lo para presidente do Brasil, caso decida incluir a Câmara de Hugo Motta e de Sóstenes Cavalcante e o Senado da gangue bolsonarista nessa relação. Que país é esse que os abjetos, indignos e desprezíveis deputados vinculados à bandidagem querem criar?
Seria a nação da desonra, da patifaria e do vale tudo oficial? Não bastasse a família golpista que sonha em se perpetuar no poder, a canalhada bolsonarista elegeu similares para transformar de vez o país em covil de hienas, comandadas por abutres e corvos vorazes por carniça. O que eles aprovaram, com apoio de alguns deputados do PT, divide o sistema penal em dois: um serve para o pobre do eleitor, enquanto o outro obrigará todos os ricos a disputar um mandato eleitoral, o que, na prática, os deixarão à vontade para roubar impunemente.
Como eleitor com um mínimo de consciência, sugiro a todos os brasileiros sérios que não aceitem a denominação PEC da Blindagem. Escandalosa, vergonhosa e criminosa, mais justo é denominá-la de PEC das Fações Criminosas sediadas no Congresso. A partir de mais esse escárnio produzido pelos deputados da putada, se qualquer cidadão brasileiro quiser roubar, matar, mandar matar, estuprar, sequestrar, vilipendiar, humilhar, negociar armas e vender drogas sem ser investigado e condenado basta virar parlamentar. O problema é a maldita isonomia. Com toda razão, o PCC, o Comando Vermelho, Primeiro Comando Puro, demais grupos e a ralé da bandidagem deverão exigir direitos iguais.
Justo, muito justo, justíssimo. Qual a diferença entre facções que usam armas para ameaçar e facções eleitas que, mesmo desorganizadas, agem como verdadeiros representantes do crime organizado. Talvez o paletó e a gravata no lugar do fuzil. Talvez! Perdão pelo sincericídio, mas a política brasileira começou a virar, de fato e de direito, a pocilga que é hoje em 2018, primeiro ano de comando da facção bolsonarista. De lá para cá, são claramente dois Brasis: o deles e de alguns petistas camuflados e o do danado do povo.
Curiosamente, no dia seguinte ao da primeira votação da PEC bandida, a Polícia Federal desbaratou uma organização criminosa suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes ambientais. Nada de anormal, não estivessem entre os presos um bolsonarista radical ligado ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e um delegado da própria PF. E não é um delegado qualquer. Rodrigo de Melo Teixeira, ex-superintendente da instituição em Minas Gerais, é o policial que, em 2018, conduziu as investigações sobre o atentado (?) contra o então candidato Jair Bolsonaro. Não é nada, não é nada, mas pode ser tudo. Quem sabe a ponta daquela faca que continua rendendo votos!
…………………….
Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais
