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Pior que a droga que vicia é a droga que os brasileiros levam para o Congresso

Final de tarde em em Brasília, prédio do Congresso Nacional

Se a ideia do presidente norte-americano, Donald Trump, fosse realmente o combate às drogas, a primeira investida deveria ser contra os legislativos da América do Sul, notadamente o do Brasil varonil. Com certeza, milhões de brasileiros reclamariam do desrespeito à soberania, mas os mesmos milhões, depois de alguns segundo de reflexão, soltariam foguetes ante a possibilidade de podermos dizer que viver representado por essa droga de Congresso tem o mesmo significado de viver no país da carreira de droga fantasiada de deputados e de senadores.

E como tem. É claro que há os mascarados por natureza e os que usam máscaras somente para se esconder do vício de ter de conviver com aqueles que, vinculados ao mito astrológico, estão preocupados exclusivamente com o que se passa na lua e eventualmente com as novas propostas expansionistas de Tio Sam. Mais um ou dois mil quilômetros e Trump teria chegado a Brasília, onde poderia ter experimentado in loco drogas in natura dos 26 estados da Federação e do Distrito Federal, onde a pureza do material é duvidosa, tendo em vista a proximidade com o clã a que veneram.

Dizem os entendidos que é nas siglas que amam amar os deuses da loucura subjetiva que estão as drogas sintéticas, aquelas que, enlouquecidas pelo moço que adora um hospital, falam, falam, mas nunca sabem o que dizem. Defensores do patriotismo golpista, os tidos como droga refinada vêm, em parte, de São Paulo, do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Espírito Santo e Rio Grande do Sul. O refugo compulsivo e bajulador é de Santa Catarina e do Paraná. Esse grupo faz mal só de ouvir falar.

O problema é de quem consome irresponsável e problematicamente esse tipo de droga. Esses popularmente conhecidos por dependentes submissos e obedientes a estimulantes e depressores sem procedência, de pouca química e de nenhum apelo político. Estão onde estão somente porque pensam, falam e agem como alucinógenos. Nada mais do que isso. O resultado é que, enquanto eles estão ocupados fazendo planos para libertação do deus do coturno, a vida acontece, o Brasil adoece, o povo padece e a credibilidade nos políticos desaparece.

Como consumidor responsável e hoje incapaz de suportar a dor decorrente das drogas que já escolhi, decidi manter viva a esperança. Na verdade, descobri que viver é fácil, desde que a gente viva de olhos fechados para o Congresso brasileiro, hoje lotado de pessoas insanas que têm objetivos insanos. Desnecessário se considerarmos nossa realidade, vale registrar que a afirmação de que nossos políticos são como droga é uma opinião e uma analogia, e não um fato literal. Para mim, trata-se de uma metáfora que sugere claramente que a política ou certas figuras políticas têm feitos viciantes

A política não me incomoda. São os políticos gananciosos com máscaras da moralidade que me incomodam. Como esses não pretendem nunca realizar o que a política supõe, eu os incluo entre as drogas que a preocupação de Donald Trump precisava alcançar. Voltando às analogias, drogas ilícitas e a classe política corrupta realmente têm algo em comum. Ambas são nocivas para a sociedade, mas, movido pela curiosidade, o povo experimenta e muitos acabam se tornando seus escravos. Portanto, como Trump não veio – e não virá – aproveitemos as eleições e, de uma só tacada, lutemos para combater as drogas e os sentimentos que nos estimulam a votar em drogas.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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