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Poder em mãos erradas representa perigo iminente

Psiquiatra e conhecido mundialmente como autor de best-sellers sobre inteligência emocional e comportamento humano, o escritor Augusto Cury, recém-filiado ao partido Avante, acaba de se lançar na destemperada e desafiadora disputa pela Presidência da República Federativa do Brasil. Sei em quem voto e, principalmente, em quem jamais votaria. Não fosse isso, talvez me arriscasse participar dessa desafiadora aventura do famoso autor de livros de autoajuda.

Minhas razões talvez sejam tão loucas como o desejo do novo pré-candidato presidencial. Entretanto, senti comichões eleitorais ao saber que suas propostas convergem com meus anseios políticos. De cara, fiquei impressionado com sua preocupação com o desequilíbrio emocional de parte do povo brasileiro. É claro que não são todos. Todavia, os desequilibrados em decorrência do fanatismo ideológico superam a normalidade de uma nação que luta para alcançar a prateleira do Primeiro Mundo. Infelizmente, eles são muitos.

Não sei o que Augusto Cury entende de política partidária. Também desconheço seus conhecimentos acerca da alcateia em que está se metendo. O que sei é que sua vontade de contribuir para a construção do Brasil dos sonhos já é suficiente para transportá-lo para bem longe do umbral onde está alojada a sujeira acumulada e hoje compilada por candidatos e simpatizante do Brasil dos horrores. A esses, eu diria que, no mínimo, Augusto Cury precisa ser respeitado por sua coragem de tentar fazer alguma coisa pelo país.

Em uma de suas frases mais famosas (“Todos querem o perfume das flores, mas poucos sujam suas mãos para cultivá-las), o escritor e psiquiatra destaca a busca humana por recompensas e resultados positivos sem o desejo de se esforçar ou superar dificuldades. É a carapuça exata para os líderes e simpatizantes do grupo político que busca o poder a qualquer preço, inclusive por meio do oportunismo golpista.

Absolutamente desconhecido do eleitorado nacional, Augusto Cury provavelmente ganhará alguns votos dos que, como eu, se cansaram da fantasmagórica polarização política. Reitero que não tenho vinculação partidária, muito menos simpatias ideológicas, mas sou fiel à consciência. Por isso, antes que me cobrem respostas mais claras à decantada fidelidade, afirmo que, em decorrência do comprometimento com meus posicionamentos democráticos, manterei o lado assumido em 2018 e repetido em 2022.

Ou seja, embora seduzido pela proposta de focar seu trabalho na saúde mental dos enlouquecidos brasileiros, aprecio, mas não fecho com Augusto Cury. Contudo, louvo suas boas intenções, as quais vão de encontro às mesmices dos conservadores que se amam se odiando e que ambicionam o poder exclusivamente pelo poder. Como alguns eleitores esquecem que as pessoas só nos atingem quando damos poder a elas, sugiro que a maioria ouça Augusto Cury, mas repita o que fez em 2022. Nunca é demais lembrar que o poder em mãos erradas é um perigo iminente.

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Heliodoro Quaresma, jornalista aposentado, tem uma velha Remington como troféu na estante da sala e usa um Notebook para escrever artigos pontuais para Notibras

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