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Polarização é sinônimo de medo de errar no embate contra o adversário

Consenso de grupos sociais e políticos contra as ideias e propostas de outras células, polarização nada mais é, portanto, do que incompatibilidade, conflito, contradição, discrepância, contraposição, desacordo e desencontro, entre outras denominações negativas. Na prática, é um cabaré de cegos frequentado majoritariamente por surdos-mudos. Se houvesse uma lógica para um sinônimo do termo, o mais próximo seria sou contrário a tudo que o adversário apresenta, independentemente de que os projetos sejam ótimos. No fundo, o medo de um é que o outro acerte. Daí alguns terem a necessidade de tentar enganar o povo dizendo que o atual presidente da República faz de tudo para destruir o país.

Suficientemente covardes, nenhum deles mostra onde está a inexistente destruição. Preferem difundir a maquiavélica polarização. Em época eleitoral, cada obstáculo é uma oportunidade de mostrar que os vencedores não recuam. Eles focam em soluções, aprendizado e persistência, agindo proativamente nas ocasiões em que perdedores encontram desculpas e medo de arriscar. Como eleitores, temos a obrigação de seguir a máxima do escritor francês Marcel Proust, para quem “Se nada muda, e você muda, tudo muda”. De silenciosa e poderosa sabedoria, a expressão lembra que, como cidadãos, não precisamos esperar que o mundo, as pessoas ou as circunstâncias externas mudem para que nossa realidade se transforme.

Aceitar como normal que o medo alheio penetre em nossas almas é aceitar, sem reação, à primeira lei do matemático e físico inglês Isaac Newton, ou seja, o Princípio da Inércia. Um corpo em repouso tende a permanecer em estado de repouso. A tendência de um corpo em movimento uniforme é o movimento constante. E esse deve ser o objetivo dos que querem mudanças concretas e não simbólicas ou irreais. Acima de tudo, sejamos sinceros e autênticos. Na prática, sejamos nós mesmos e eles que sejam eles. Simples como entender que o quatro é o resultado de dois mais dois e que o 13 é infinitamente mais robusto e mais competente do que o 11, o 17 ou o 22.

Diante do cenário em que vivemos, não é exagero afirmar que, quanto maior a polarização política em um país, mais fracas e artificiais são suas lideranças populares. Exagero é não entendermos que essa adjetivação política só interessa aos politiqueiros. Quanto mais polarizados os supostos combatentes do centro, da direita e da esquerda, mais liberdade de controle as excelências eleitas terão sobre as mentes dos que defendem a incivilidade como prenúncio de barbárie. Não devemos esquecer jamais que os políticos passam, mas o povo fica. Como habitantes de uma nação democrática, somos todos eleitores com peso único, isto é, o voto do pobre vale tanto quanto o do rico.

Por isso, antes de apostar nessa tal polarização, que tenhamos a coragem de duvidar de nossas próprias certezas. Podemos começar deixando de investir no atual e crescente cenário de inferno psicológico. Quando um governante ou candidato presidencial oferece ódio é porque ele não tem nada a oferecer de produtivo à sociedade. Invertendo a ordem, mesmo que seja considerado ladrão, um governante que se propõe a trabalhar por todos merece pelo menos ser ouvido com respeito. Condenar quem pensa diferente é provar para os atacados que quem condena não tem nenhum interesse nas pautas comuns e necessárias para o bem-estar coletivo. É o quanto pior, melhor.

Em lugar de estimular polarização, talvez pudéssemos trabalhar para evitar que uma ocorrência social se transforme em criminal. O que quero dizer é simples: quem não tem sensibilidade social precisa aprender a ter. Considerando que toda polarização política é a declaração expressa da falência do sistema político, o Brasil que todos imaginam rico em democracia bem que poderia pensar em uma terceira via e quantas forem necessárias. Se Luiz Inácio não serve mais, busquemos um candidato com propostas verdadeiramente progressistas e palpáveis. Que não seja Flávio Bolsonaro, cuja mediocridade política o impede de pensar no melhor para o país. Como dizem os pensadores, proteger medíocres e incompetentes não é empatia, mas sabotagem contra quem se dedica e entrega bons resultados. Em suma, a competência sempre incomoda os incompetentes. Esses são os “polarizadores”.

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Sonja Tavares é Editora Política de Notibras

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