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Polícia Federal acha cesto de laranjas na busca dos donos do avião que caiu com Campos

Em busca dos verdadeiros proprietários do jatinho Cessna Citation, prefixo PR-AFA, que em agosto de 2014 caiu e matou o então candidato à Presidência, Eduardo Campos (PSB), em Santos (SP), os investigadores da Operação Turbulência mapearam uma teia de empresas de fachada utilizadas para lavar e supostamente escoar dinheiro oriundo de obras públicas para campanhas políticas.

Responsável pelo inquérito, a delegada federal Andréa Pinho Albuquerque, da Polícia Federal em Pernambuco, compartilhou informações com a Justiça Federal do Paraná e com o Supremo Tribunal Federal para comprovar a relação dos empresários por trás da compra da aeronave com empreiteiras e políticos investigados na Lava Jato.

Ao solicitar informações ao juiz federal Sergio Moro, responsável pelas ações da Lava Jato na primeira instância, a delegada salienta que o relatório de inteligência elaborado pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) revela que “parte dos recursos utilizados na aquisição da referida aeronave tenham sido originados da Construtora OAS, a qual, além de investigada na Operação Lava Jato, participou da execução de alguns lotes das obras de transposição do Rio São Francisco em Pernambuco, Estado cujo governador à época era, justamente, Eduardo Campos”.

Ainda segundo Andréa Albuquerque, informes de inteligência revelam que um dos líderes do grupo investigado pela Turbulência, João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho, “teria sido mencionado em acordo de colaboração premiada firmado no bojo da Lava Jato como um dos responsáveis pela entrega de valores em espécie a políticos e funcionários públicos domiciliados em Recife/PE, identificando-o como um dos principais operadores financeiros em atuação na capital pernambucana”.

Em 23 de março de 2016, em despacho encaminhado ao ministro Teori Zavascki, relator das ações da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, a delegada solicitou que as informações contidas no inquérito cujos alvos são o senador Benedito Lira e o deputado federal Arthur Lira, ambos do PP, fossem compartilhadas.

Segundo Andrea, a Câmara & Vasconcelos Locação e Terraplanagem Ltda, envolvida na compra do avião, seria beneficiária de recursos provenientes de empresas controladas pelo doleiro Alberto Youssef – emblemático personagem da Lava Jato -, a Empreiteira Rigidez Ltda. e a MO Consultoria Ltda.

“Tais repasses supostamente teriam sido efetuados como pagamentos de vantagens indevidas ao senador Benedito Lira e ao deputado federal Arthur Lira, conforme acordos de colaboração premiada do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto da Costa”, aponta o pedido.

Em resposta, os investigadores da Operação Turbulência receberam as informações das duas investigações e prosseguiram no detalhamento das transações financeiras entre os empresários e companhias citadas. Em um dos relatórios enviados pelo STF, a Polícia Federal descobriu que parte do dinheiro que abasteceu as contas da Câmara & Vasconcelos saiu da empreiteira OAS e do Consórcio OAS/Galvão/Barbosa. Este último, foi alvo da operação Vidas Secas que apurou desvios e pagamentos de propina envolvendo a obra de Transposição do Rio São Francisco.

Defesa – Questionado, o senador Benedito Lira (PP) informou “nunca ter conhecido, nem visto as pessoas mencionadas na Operação Turbulência”. Sobre a doação de R$ 400 mil recebida, em 2010, da Constran, investigada na Lava Jato, Lira diz que ela foi declarada à Justiça pelo diretório estadual do PP.

Já o deputado Arthur Lira esclarece que não tem envolvimento com as empresas citadas na Operação Turbulência. Ele informa que prestou os devidos esclarecimentos no âmbito do inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal.

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