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Polícia intensifica buscas por crianças desaparecidas

As buscas pelos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, completaram duas semanas no interior do Maranhão. O trabalho das forças de segurança é intenso e o drama vivido pela família no Quilombo de São Sebastião dos Pretos, no município de Bacabal, não tem fim.

Com cerca de 250 moradores, a comunidade sempre teve a rua como uma extensão das casas. Foi nesse ambiente de convivência próxima que as crianças desapareceram, no dia 4 de janeiro. A avó, Francisca, recorda que a mãe havia avisado que os irmãos brincavam na varanda naquele momento.

Naquele domingo, o primo Anderson Kauã, de 8 anos, também esteve na casa da avó. Ele brincou com os primos, almoçou no local e, mais tarde, foi embora.

O tio das crianças, José Henrique Cardoso Reis, contou que viu os três juntos por volta das 13h30 e pediu que retornassem para casa. A ausência dos netos foi percebida pela avó entre 15h30 e 16h. Após chamá-los sem obter resposta, o avô, José Reis, explicou que, embora fosse comum as crianças circularem pelas casas vizinhas, a preocupação aumentou quando ninguém soube informar onde estavam. Diante disso, moradores passaram a vasculhar a mata.

A mobilização ganhou grandes proporções. Equipes do Corpo de Bombeiros do Pará e do Ceará, além do Exército, da Marinha e voluntários, se uniram às buscas. Mais de mil pessoas participaram da operação, que contou com o apoio de cães farejadores. Os profissionais alertaram para os riscos da região, como armadilhas de caça e a “tiririca”, planta de folhas cortantes.

Durante as buscas, foram encontradas pegadas de crianças. Três dias depois, veio um momento de alívio: Kauã foi encontrado por um carroceiro que colhia palha. O menino estava sem roupas, havia perdido cerca de dez quilos, mas sobreviveu. Ele se recupera e deve receber alta hospitalar ainda nesta semana.

Segundo o delegado Ederson Martins, Kauã contou que tentou chegar até um pé de maracujá. Ao ser orientado pelo tio a voltar, decidiu entrar na mata pelo lado oposto para não ser visto, momento em que acabou se perdendo junto com os primos. As roupas do menino foram localizadas no dia 8, e a polícia confirmou que não houve indícios de violência sexual.

Após o resgate de Kauã, os esforços se concentraram na localização de Ágatha e Allan. A área de aproximadamente quatro quilômetros quadrados foi dividida em 45 quadrantes, monitorados por aplicativo. O coordenador das buscas, Cleyton Cruz, informou que Kauã foi encontrado encostado em uma palmeira. Em reconstituição, o garoto afirmou que não havia nenhum adulto com eles e que não encontraram alimento durante o período em que estiveram perdidos.

O menino também relatou que passaram por uma casa abandonada. De acordo com o secretário de Segurança, Maurício Martins, os cães farejadores confirmaram o trajeto descrito. Segundo o Instituto de Criminalística, os irmãos teriam se separado de Kauã no terceiro dia, já exaustos, enquanto ele seguiu sozinho em busca de ajuda.

Em meio à angústia, a mãe das crianças, Clarisse Cardoso Ribeiro, fez um apelo emocionado. “É a minha vida. Meus filhos são tudo pra mim, são muito apegados comigo. A única coisa que eu peço é que quem esteja com meus filhos, que entregue”, disse.

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