E, de repente, alguém que a gente não via há tempos, sequer sabia onde estava, nos aparece do nada e nos oferece flores, um drink, um almoço ou apenas uma conversa. Pode ser um amor antigo, um amigo perdido, um familiar desviado e até um político que supunham sumido, escanteado ou amaldiçoado. Como dizem os poetas populares, é a volta dos que não foram. Se é para o bem de todos e felicidade geral da cidade, da região, do país e nossa, que venha e que seja vitoriosamente feliz. Que o diga meu editor e amigo, o velho e cada vez mais jovem José Seabra Neto. Aprendi com ele, com Nelson Rodrigues e com 99,9% dos políticos brasileiros que amar é ser fiel a quem nos trai. Será verdade? Claro que não!
Pode ser para os que adquirem crenças e convicções de segunda mão e sem checagem prévia. Pelo menos para mim, que penso e ajo com normalidade, acho que acreditar em políticos mentirosos, notadamente os que respondem pela alcunha de parlamentares, é o mesmo que tentar ordenhar um bode ou um touro. Sei que sobre gostos não há hipótese de discussão. Entretanto, felizmente os tempos mudaram e eu mudei com eles. As mudanças interna e externa exigem ideias atualizadas, propostas reais e, principalmente, boas leis. Por isso, além de queimar as atuais e torcer por novas, é preciso renovar as casas de leis espalhadas pelo país. Que venham os de reconhecida experiência.
Viciadas, a maioria de nossas leis e de nossos homens públicos é arcaica, obsoleta e amplamente vinculada à vigarice. Daí a necessidade de mudá-los. Seguindo o aconselhamento de Mahatma Ghandi, se queremos progredir, não devemos repetir a história, mas fazer uma nova. É o que venho tentando e tentarei até que todas as urnas eletrônicas sejam desligadas no fim da tarde do dia 4 de outubro. Sabidamente, a verdadeira mudança política é liderada por aqueles que vivem a realidade do povo. Fora disso, é enganação. Mudanças políticas profundas exigem ação coletiva, consciência cidadã, superação da inércia e, sobretudo, vontade de figuras que nada mais precisam provar à sociedade.
Enfim, elas só ocorrerão quando o povo, batizado temporariamente de eleitor, entender que a política é a sua sobrevivência e não apenas um, dois ou três votos de dois em dois ou de quatro em quatro anos. Vivemos um tempo em que se briga exclusivamente por políticos. Uma pena, mas hoje a essência da política é coisa de somenos importância. Em outras palavras, a população precisa assumir o protagonismo, valorizar o voto consciente e cada vez mais cobrar ética na gestão pública como forma de transformação da coletividade.
A inoperância política e a ignorância do cidadão aceleram a destruição da democracia, consequentemente a do seu povo. No momento de votar, não devemos pensar em salvadores da pátria. Essa figura não consta, nunca constou e jamais constará do cenário político do Brasil. Muito pelo contrário. Travestidos de operadores dos bons costumes e de defensores das famílias, nossos candidatos aos parlamentos e aos palácios federal e estaduais mudam logo após a eleição. Eleitos, normalmente eles trocam os simbólicos castelos pelos escuros caminhos do esgoto da corrupção. Temos de priorizar aqueles que já mostram que conhecem do riscado.
Mais do que discutir partidos e ideologias, o eleitorado nacional precisa discutir valores e princípios. Acima de tudo e de todos, é fundamental que saibamos que política se faz com seriedade, propostas, trabalhos e metas para melhoria da maioria e não de meia dúzia de gatos pingados. Ou seria de gado? Líder político não pode ser visto como despachante da população. Enquanto pensamos assim, os atuais políticos primam pelo desinteresse com as coisas do povo e pelo interesse quase absoluto pelo lucro próprio. Sem variações, a política é um jogo de gato e rato. Ou mudamos agora ou nunca seremos gato. As pessoas com alguma competência não estão escondidas como se pensava. Portanto, na vida e na política, o melhor caminho é apostar naqueles que voltaram por nunca foram.
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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978
