Independentemente da teimosa ideologização das eleições gerais deste ano, há um fato que foge da polarização idealizada por um amontoado de supostos candidatos presos a estruturas políticas que dependem financeira e estruturalmente de outras. Isolados, eles viram presas fáceis das siglas simbolicamente consideradas tubarões. Por isso, se fecham em blocos na tentativa de se fortalecerem. O problema é a submissão aos conceitos, determinações e interesses regionais, nacionais e pessoais das verdadeiras lideranças.
São esses líderes que criam as normas, dão as ordens, as cartas e determinam as ações no Congresso Nacional, nos governos e parlamentos estaduais e municipais e até no Governo Central. No atual espectro de 32 partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral, somente o PT, o PL e o PP têm condições geopolíticas isoladas de vitória. Embora tenham peso regional, os demais funcionam como apêndice dos grandes conglomerados partidários. Ou seja, para terem voz, obrigatoriamente a maioria precisa se unir em blocos à direita, também denominada Centrão, e à esquerda. Fora disso, as excelências não têm vez.
Hoje, a diferença é unilateralmente pessoal. A maioria esmagadora dos que navegam à esquerda está fechada com o presidente Luiz Inácio. Embora sonhem com a futura divisão de poder, os tripulantes da nau progressista sabem que, sem Lula, poucos se salvarão do naufrágio. Dividida até a medula, a direita não se entende, se esfacela e, cada vez mais, chama para seus membros a certeza da descontinuidade político-administrativa, consequentemente o descrédito eleitoral. É o experimento do derretimento internacional da direita e da extrema-direita. Embora ainda poderosos, que o digam Donald Trump e Benjamin Netanyahu.
Bom, ruim ou mais ou menos, com ou sem falhas, mas com crédito, o governo Lula tende a se consolidar como a melhor opção para o pleito de outubro. Parece desproposital, mas a politização da polarização isolou muito mais a direita do que a esquerda. O filme O Agente Secreto é a prova disso. Em lugar de comemorar as duas premiações, os que se dizem oposição a Luiz Inácio preferiram se isentar ideologicamente das comemorações. Perderam a oportunidade de se juntarem a milhares de milhões de eleitores brasileiros que vibraram com os dois Globos de Ouro.
Com os números das últimas pesquisas debaixo do braço, políticos de reconhecida robustez e de variadas correntes já se posicionaram para 2026. Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB) faz tempo decidiu se escorar na provável reeleição de Lula. Condicionar apoio a “gestos” do Palácio do Planalto em benefício de sua base eleitoral faz parte do jogo. Na mesma pegada de Motta e sob a máxima de que a política se constrói com reciprocidade, o deputado Airton Lira (PP-AL) e o senador Renan Calheiros (MDB-AL), entre muitos outros, também fecharam com o líder petista. No lado oposto, além da dificuldade de um nome, as mentiras permanecem insustentáveis.
Candidato da vez, o senador Flávio Bolsonaro confessou publicamente que, caso eleito, dará continuidade ao que fez seu pai, Jair Bolsonaro, isto é, nada de útil para o povo brasileiro. Ele e seus seguidores sem nexo acusam Luiz Inácio de tudo um pouco, mas são incapazes de lembrar que, em 2023, o atual presidente pediu licença ao Congresso para gastar R$ 198 bilhões acima do limite constitucional. Em quatro anos de governo, Bolsonaro e Paulo Guedes, então ministro da Economia, furaram o teto de gastos em R$ 795 bilhões. Partindo da premissa de governar voltado para o povo, quem é verdadeiramente o desonesto nessa história? Para sorte do povo, as pesquisas indicam que Flávio, Tarcísio e similares morrerão sem chegar à praia. Os números não mentem.
