No Nordeste, a sensação de segurança muda conforme o chão que se pisa. Não é a mesma coisa caminhar pela rua ao cair da noite, fechar a porta de casa antes de dormir ou bater o ponto no trabalho pela manhã. A proteção, embora necessária em todos os lugares, se manifesta de formas diferentes — e, muitas vezes, desiguais.
Na rua, a segurança é coletiva, mas nem sempre compartilhada. Postes de luz falham, câmeras públicas não alcançam todas as esquinas e a presença policial oscila conforme o bairro. Em áreas centrais ou turísticas, o cuidado parece maior. Já nas periferias, a vigilância costuma chegar atrasada, quando chega. O cidadão aprende a se proteger com os próprios sentidos: o olhar atento, o passo apressado, o celular escondido no bolso.
Em casa, o medo ganha contornos mais silenciosos. Muros crescem, cercas elétricas se espalham e câmeras piscam como olhos atentos na madrugada. Quem pode investe em alarmes e monitoramento; quem não pode, confia no trinco da porta e na solidariedade dos vizinhos. A segurança doméstica, no Nordeste como em todo o país, acaba refletindo a desigualdade social: uns dormem tranquilos, outros dormem alertas.
No trabalho, a proteção depende do setor e do valor que se dá à vida humana. Grandes empresas seguem protocolos, instalam controles de acesso e treinam funcionários. Já em muitos pequenos comércios, canteiros de obras ou áreas rurais, o risco faz parte da rotina. Falta equipamento, sobra improviso. O trabalhador, muitas vezes, aceita o perigo como se fosse parte do salário.
Essas diferenças revelam uma verdade incômoda: a segurança não é igual para todos, nem em todos os espaços. Ela acompanha o poder aquisitivo, a localização e as prioridades do poder público e privado. No Nordeste, região marcada por resistência e criatividade, o povo se adapta, cria estratégias, protege-se como pode. Mas segurança não deveria ser adaptação — deveria ser direito.
Enquanto ela continuar mudando de forma conforme o lugar e a pessoa, seguirá sendo privilégio para alguns e preocupação constante para muitos. E o nordestino, atento e resiliente, seguirá perguntando: proteção para quem, e em qual lugar?
